Épisodes

  • 129 - Psicanálise é psicoterapia?
    Jan 26 2026

    🎙️ Episódio: “A pergunta que não quer calar: Psicanálise é Psicoterapia?”
    🎧 Apresentação: Sandro Cavallote

    Neste episódio, adentramos um dos debates mais espinhosos — e fundamentais — do campo psicanalítico: afinal, a psicanálise é ou não uma psicoterapia?

    Partindo de Freud e da noção inaugural de “cura pela fala”, percorremos as transformações históricas da clínica psicanalítica, a virada da centralidade do sintoma para a verdade do sujeito e a cisão que se estabelece entre psicanálise e psicoterapia. O episódio discute as diferenças de horizonte entre práticas voltadas ao ajustamento e uma clínica orientada pelo desejo e pelo inconsciente.

    O diálogo passa pela crítica lacaniana à psicoterapia adaptativa, pelo contraponto ferencziano que recoloca o cuidado com o sofrimento no centro da experiência analítica, e pelo modo como, no Brasil, essa distinção ganhou contornos institucionais, éticos e legais. Também refletimos sobre a prática clínica concreta, onde as fronteiras nem sempre são nítidas e a pergunta decisiva passa a ser: a serviço de quê está a escuta?

    Mais do que oferecer uma resposta fechada, este episódio propõe deslocar a pergunta. Talvez a psicanálise não prometa bem-estar, mas algo mais exigente: um encontro com a verdade e com a responsabilidade subjetiva.

    Um convite à escuta, à crítica e à reflexão.
    Siga o podcast, compartilhe e participe do debate nos comentários.

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    14 min
  • 128 - O inferno familiar: por que escolhemos a dor que conhecemos?
    Jan 19 2026

    No episódio 128, a fala é sobre por que insistimos em repetir sofrimentos que já conhecemos tão bem?
    Por que, diante da possibilidade de algo novo, preferimos voltar para a mesma rua escura de sempre?

    Neste episódio, Sandro Cavallote revisita a compulsão à repetição freudiana para pensar o que nos mantém fiéis ao sintoma, à dor conhecida, ao “diabo familiar”. Não se trata de falta de força de vontade, mas de uma economia psíquica poderosa, protetora e, ao mesmo tempo, aprisionante.

    Falamos sobre:

    • compulsão à repetição e fidelidade ao sintoma

    • medo do novo e da angústia do desconhecido

    • luto, elaboração e perlaboração

    • por que mudar dói — e por que permanecer dói também

    Um convite a trocar a dor estéril da repetição por uma dor fértil, capaz de abrir espaço para a invenção de novos modos de existir.

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    14 min
  • 127 - O vocabulário do inconsciente: palavras que não dizem o que dizem
    Jan 12 2026

    No episódio 127 do Psicanálise e Cultura, Sandro Cavallote nos convida a pensar sobre um dos instrumentos centrais da psicanálise: a palavra. Mas não qualquer palavra — e sim aquelas que escorregam, falham, repetem, silenciam e dizem mais do que aparentam dizer.


    Em “O vocabulário do inconsciente: palavras que não dizem o que dizem”, o episódio percorre a ideia de que o inconsciente se manifesta justamente nas brechas da linguagem: nos lapsos, nos atos falhos, nas metáforas insistentes, nas escolhas aparentemente banais de palavras e nos silêncios que atravessam a fala.


    A partir de Freud e da experiência clínica, o episódio aborda:


    a diferença entre o vocabulário manifesto e o vocabulário latente,


    a escuta das repetições, hesitações e desvios da linguagem,


    a palavra como porta de entrada para o desejo e o recalcado,


    e o papel ético do analista como tradutor de sentidos — nunca como intérprete fechado.


    Sandro também articula o tema à formação do psicanalista, discutindo o tripé clássico da psicanálise — análise pessoal, estudo teórico e supervisão clínica — como um verdadeiro processo de alfabetização do inconsciente. Uma formação que exige ampliar o vocabulário técnico, mas também sensível, cultural e humano.


    O episódio defende ainda a importância de uma formação plural: filosofia, artes, história, linguística, literatura e cultura contemporânea como campos que enriquecem a escuta clínica e evitam o empobrecimento da prática psicanalítica.


    Em uma reflexão que atravessa clínica, cultura e ética, este episódio propõe que cuidar das palavras é cuidar do desejo — e que formar-se analista é assumir um compromisso permanente com a escuta, a linguagem e a singularidade de cada história.


    🎧 Um episódio para quem se interessa por psicanálise, linguagem, formação clínica e pelas palavras que nos habitam mais do que imaginamos.


    Aperte o play e venha escutar o que as palavras ainda não disseram.

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    17 min
  • 126 - Por que a Psicanálise não tem Conselho (nem precisa de um)
    Jan 5 2026

    No episódio 126 do Psicanálise e Cultura, Sandro Cavallote propõe uma reflexão direta e necessária: por que a psicanálise não dá conselhos — e por que ela também não precisa de um Conselho regulador.

    Partindo da palavra “conselho”, o episódio percorre dois eixos centrais da ética psicanalítica. De um lado, a recusa do analista em ocupar o lugar daquele que sabe o que é melhor para o outro, sustentando a aposta no desejo e na responsabilidade subjetiva. De outro, o debate contemporâneo no Brasil sobre a criação de um Conselho Federal de Psicanálise e os riscos da normatização de uma prática fundada no singular, no caso a caso e na transmissão viva.

    Ao longo do episódio, discutem-se temas como:

    • a diferença entre escuta e orientação,

    • a função ética da não-sugestão na clínica,

    • a formação do analista para além de diplomas e grades curriculares,

    • a implicação subjetiva como eixo da prática psicanalítica,

    • e a regulação feita pelos pares, pelas escolas e pela própria experiência clínica.

    Em uma cultura ávida por respostas prontas, garantias e manuais de conduta, este episódio é um convite a sustentar a falta de garantias — tanto na vida quanto na clínica — como condição para o desejo, a responsabilidade e a invenção.

    🎧 Um episódio para quem se interessa por psicanálise, ética, formação clínica e pelos impasses contemporâneos entre singularidade e regulamentação.

    Aperte o play e siga conosco nessa jornada.

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    16 min
  • 125 - Hiper-rotinas: A tirania do tempo produtivo
    Dec 29 2025

    Neste episódio, Sandro Cavallote investiga as hiperrotinas e a tirania do tempo produtivo que domina a vida contemporânea.

    Uma análise que aborda:

    • A transformação do tempo em uma mercadoria rara, constantemente medida e otimizada por uma lógica militar de tarefas e metas.

    • A ilusão de controle: como o preenchimento excessivo da agenda com atividades (trabalho, exercício, autocuidado) esconde a fuga do vazio e a pressão por estar sempre em movimento.

    • A perspectiva psicanalítica: o inconsciente é atemporal e o desejo não obedece a relógios. Tentar encaixotá-lo em planilhas gera um conflito profundo.

    • As consequências: burnout, ansiedade e insônia como sintomas de uma "vida sem intervalo", onde não há espaço para o vazio criativo e o sujeito se torna um mero executor de tarefas.

    Um convite para refletir: será que controlamos nosso tempo, ou estamos sendo controlados por ele?

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    12 min
  • 124 - A importância dos ritos
    Dec 22 2025

    Neste episódio, Sandro Cavallote mergulha na importância dos ritos para a psique humana e para a cultura.

    Uma reflexão que percorre:

    • A função ancestral dos ritos, desde as primeiras civilizações, como organizadores do caos e transformadores do medo em gesto simbólico.

    • A visão freudiana: os ritos como uma forma de contenção das forças pulsionais e uma mediação essencial entre o desejo e a cultura.

    • A psicanálise como herdeira dos ritos: como o setting analítico (horário fixo, espaço constante) age como um rito moderno, criando a moldura simbólica para a fala do inconsciente.

    • A consequência da perda: o que acontece quando uma sociedade perde seus ritos de passagem e, com eles, a noção de pertencimento e a capacidade de atravessar transformações.

    Uma conversa sobre como os rituais, do sagrado à clínica, nos ensinam a transformar dor em linguagem e a encontrar sentido nas passagens da vida.

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    13 min
  • 123 - Além do divã: outras margens da psicanálise
    Dec 15 2025

    Neste episódio, Sandro Cavallote investiga as "outras margens da psicanálise". Para além do setting tradicional do divã, onde mais a escuta psicanalítica pode acontecer?

    A fala percorre:

    • As origens da psicanálise, que desde Freud já enxergava o sofrimento para além do consultório, se repetindo na cultura e nas instituições.

    • A pergunta: quando uma prática de acolhimento universal passou a ser vista como elitista?

    • A expansão da escuta do inconsciente, que começa no sintoma individual mas se abre para as estruturas sociais que o produzem.

    • A reflexão sobre o que significa "ser psicanalista" hoje: é apenas atender em consultório, ou é sustentar uma ética que pode se deslocar para diversos territórios?

    Um convite para pensar a psicanálise como uma prática de escuta social e política.

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    18 min
  • 122 - Apatia: quando nada mais afeta
    Dec 8 2025

    Neste episódio, falamos sobre a apatia — quando nada mais afeta.

    O que significa viver um estado de "a-pathos", a ausência de afeto? Partindo da visão da apatia como virtude na filosofia estóica, chegamos à sua compreensão na psicanálise: um sintoma contemporâneo de desinvestimento e desconexão da vida.

    Nesta reflexão, exploramos:

    • A apatia como um "sintoma silencioso" que anestesia o desejo.

    • A diferença entre a serenidade estóica e o esgotamento psíquico atual.

    • Como a frase "nada me motiva" revela um mal-estar profundo.

    • A interpretação psicanalítica: a apatia como defesa contra o excesso de demandas do mundo.

    Uma conversa necessária sobre por que, às vezes, a mente decide simplesmente parar de sentir.

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    14 min