Épisodes

  • #63 Racismo, Psicologia e a Mente Racializada
    May 5 2026

    No episódio final da série sobre Racismo, o Odisseia Filosófica entra no lugar mais íntimo onde o racismo opera: a mente humana. O que acontece com uma criança que cresce num mundo que comunica, de mil formas, que ela vale menos? Como a psicologia, ciência do cuidado, participou da produção do sofrimento que hoje tenta tratar? E o que significa descolonizar a mente? Com Fanon, Neusa Santos Souza, Lélia Gonzalez, Foucault e Martín-Baró, um episódio sobre subjetividade, libertação e o direito radical de existir.

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    29 min
  • #62 Quando a espiritualidade reforça o Racismo
    May 4 2026

    E se algumas das espiritualidades mais populares hoje estivessem reforçando, sem perceber, exatamente as desigualdades que dizem combater?

    Neste episódio não falamos do racismo como violência explícita. Falamos do racismo como forma de consciência. Como ele se esconde dentro de práticas que se apresentam como caminhos de libertação: na lei da atração, no karma mal interpretado, no "somos todos um", na admiração fetichizada pelo "primitivo", no extrativismo espiritual, na hierarquia das almas.

    Neste episódio exploramos:

    - O conceito de Bypass Espiritual e como ele opera como mecanismo de fuga do sofrimento histórico

    - A diferença entre universalismo como horizonte e universalismo como apagamento

    - A Lei da Atração e a culpabilização metafísica da vítima

    - A meritocracia espiritual e sua herança na Teosofia e na Antroposofia

    - Extrativismo espiritual: o colonialismo que mudou de linguagem

    - A fetichização do "primitivo" e o Salvador Branco como narcisismo moral

    - O que seria, afinal, uma espiritualidade não alienada

    Com referências em John Welwood, Thich Nhat Hanh, Pierre Bourdieu, Lilla Watson, Helena Blavatsky e a tradição filosófica que questiona o poder simbólico das crenças.


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    41 min
  • #61 Quando o Sagrado tem cor: Racismo e Religião
    Apr 29 2026

    Quando você era criança e imaginava Deus, como era essa imagem? E o demônio?

    Ninguém precisou te dizer nada. A imagem falou sozinha. E é exatamente aí que começa um dos racismos mais profundos que existem: o racismo simbólico, aquele que não precisa de palavras, que age pela imagem, pelo rito, pela ideia de quem é sagrado e quem é profano.

    Neste episódio, a gente entra num território que incomoda e que precisa incomodar.

    Vamos investigar como a religião foi usada, durante séculos, como uma das ferramentas mais eficientes de dominação racial: nas bulas papais que autorizaram a escravidão, no Código Penal que criminalizou o atabaque, na demonização de Exu, na perseguição que queimou terreiros e prendeu mães de santo.

    Mas vamos falar também, e isso é igualmente importante, de como as pessoas que foram dominadas transformaram essa mesma religião em arma de resistência. Nos terreiros que preservaram línguas proibidas. Nas irmandades que compravam liberdades. Nos Spirituals que eram mapas de fuga. No dessincretismo que diz, hoje, em voz alta: Exu não é o Diabo. Nunca foi.

    Neste episódio você vai encontrar James Cone e a Teologia Negra, Achille Mbembe e a Necropolítica, Sueli Carneiro e o epistemicídio, a história de Bilal no Islã, de Ambedkar no Hinduísmo, das Irmandades de Homens Pretos no Brasil colonial e a filosofia do terreiro como território de reexistência.

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  • #60 Quando a lei não enxerga a cor, mas o sistema sim
    Apr 21 2026

    O Brasil tem uma das legislações antirracistas mais rigorosas do mundo. O racismo é crime desde 1988, inafiançável, imprescritível. E ainda assim ele persiste. Todos os dias. Em todo lugar.

    Por quê?

    Neste episódio, a gente mergulha fundo em uma ideia que atravessa tudo: o racismo não sobrevive apesar das instituições. Ele sobrevive através delas.

    Percorremos o direito antirracista brasileiro, da omissão pós-abolição à criminalização atual, e mostramos como a seletividade penal transforma o "suspeito padrão" numa categoria com cor. Entramos em Michel Foucault e o biopoder para entender como o Estado moderno administra a vida. E chegamos em Achille Mbembe e a necropolítica, o poder de ditar quem pode viver e quem deve morrer.

    Depois, subimos para Enrique Dussel e a Hermenêutica da Libertação: interpretar o mundo não é um ato neutro. É sempre um ato situado. E isso vale para a lei, para a história, para o sagrado.

    Debatemos ações afirmativas com profundidade, seus fundamentos filosóficos, suas críticas e o que a meritocracia esconde quando o ponto de partida nunca foi igual. E terminamos no terreno da teologia: como a religião foi usada para legitimar a escravidão, como ela também foi o principal vetor de resistência, e o que o racismo religioso nos diz sobre o ataque sistemático à identidade negra.

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    35 min
  • #59 Racismo Epistêmico: quem decide o que é verdade?
    Apr 18 2026

    O racismo mais duradouro não é o que grita. É o que organiza silenciosamente o que você considera verdade.
    Neste episódio, exploramos os conceitos de historicídio, colonialidade do saber, racismo epistêmico e racismo estrutural, mostrando como o controle sobre o conhecimento é, também, uma forma de controle sobre as pessoas.
    Com referências de Silvio Almeida, Renato Noguera, Ailton Krenak, Davi Kopenawa, Cida Bento e John Rawls, esse episódio não apenas explica o racismo, ele convida você a examinar de onde vêm os pensamentos que você considera seus.

    Para aprofundar:

    Racismo Estrutural (Silvio Almeida): https://amzn.to/4cCuSRB

    O Ensino De Filosofia E A Lei 10639 (Renato Noguera): https://amzn.to/4tUSCr4

    A Queda do Céu (Davi Kopenawa): https://amzn.to/48aSsDD

    Branquitude: diálogos sobre racismo e antirracismo: https://amzn.to/48EuAb


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    41 min
  • #58 Racismo, Filosofia e Epistemicídio
    Apr 14 2026

    O racismo não é apenas uma questão de comportamento. É uma estrutura de pensamento. Neste episódio, a gente mergulha fundo numa pergunta desconfortável: como os filósofos que defenderam a liberdade universal também construíram a justificativa intelectual para a escravidão e o colonialismo?

    Exploramos o conceito de epistemicídio, o assassinato de formas de saber, através de Sueli Carneiro e Boaventura de Sousa Santos. Vemos como Frantz Fanon analisou o impacto do racismo na subjetividade. Entendemos por que Lélia Gonzalez dizia que o Brasil sofre de uma neurose. E descobrimos na filosofia Ubuntu, no giro decolonial e nas epistemologias do sul respostas filosóficas profundas para a questão da dignidade do conhecimento.

    Pensadores deste episódio: Immanuel Kant, G. W. F. Hegel, Frantz Fanon, Sueli Carneiro, Boaventura de Sousa Santos, Lélia Gonzalez, Nelson Maldonado-Torres, Walter Mignolo, Djamila Ribeiro, Ubuntu, Abdias do Nascimento.

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    32 min
  • #57 O que é Racismo, afinal?
    Apr 10 2026

    A maioria de nós aprendeu que racismo é ódio. Que é xingamento. Que é crueldade explícita. E quando aparece algo mais sutil, mais cotidiano, mais ambíguo: a gente duvida. Minimiza. Fala: "mas ele não quis dizer isso assim."

    É exatamente aí que o problema se perpetua.

    Nesse episódio, a gente desacelera. Para. E pensa com clareza, sem culpa e sem simplificação.

    Porque o racismo não é apenas um problema moral. Ele é, antes de tudo, um problema filosófico. E um problema que só se resolve quando a gente entende o que ele é nas suas raízes e nas suas camadas.

    Percorremos o debate entre Kwame Anthony Appiah, Tommie Shelby e J. L. A. Garcia sobre onde o racismo vive: na crença, no ódio ou no sistema. Entramos na invenção histórica da ideia de raça, no mito da democracia racial, no colorismo brasileiro, na psicologia do preconceito e na lógica da desumanização.

    E chegamos à pergunta que sustenta tudo: é possível superar o racismo?

    Para aprofundar:

    Racismo, Sexismo e Desigualdade no Brasil (Sueli Carneiro): https://amzn.to/4tJ6EMt

    Racismo Estrutural (Silvio Almeida, Djamila Ribeiro): https://amzn.to/4mitBDA

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    37 min
  • #56 Raça, Psicologia e Subjetividade Racializada
    Apr 6 2026

    Uma criança de quatro anos senta na frente de duas bonecas. As duas são idênticas, mesma roupa, mesmo tamanho, o mesmo sorriso de plástico. A única diferença é a cor da pele.

    O pesquisador pergunta: "Qual é a boneca boa?" A criança aponta para a branca. "Qual é a feia?" A criança aponta para a negra. E então vem a última pergunta, a mais difícil: "Qual se parece com você?" A criança negra aponta para a boneca negra. E chora.

    Esse experimento foi feito nos anos 1940 pelos psicólogos Mamie e Kenneth Clark. Ele foi apresentado à Suprema Corte americana e ajudou a acabar com a segregação racial nas escolas. Mas o que me interessa não é o impacto jurídico. É o que aquela cena revela: uma criança de quatro anos já tinha aprendido que era a boneca feia. O mundo tinha ensinado isso a ela, sem palavras, em tudo.

    Hoje a gente entra num dos territórios mais delicados dessa série sobre raça. Não a biologia. Não a história. A mente. O que o racismo faz com a subjetividade de quem vive sob ele e com a de quem se beneficia dele.

    Esse episódio percorre três movimentos. Primeiro, o passado sombrio: quando a psicologia não apenas observou o racismo, mas o produziu. Segundo, o que acontece com a mente de quem é racializado como inferior, Fanon, Neusa Santos Souza, o trauma racial, a identidade que precisa ser conquistada. E terceiro, o outro lado: a branquitude como subjetividade, a fragilidade branca, o pacto do silêncio e a possibilidade de desconstrução.

    Autores e pensadores que atravessam esse episódio: Frantz Fanon, Neusa Santos Souza, William Cross, Wade Nobles, Cida Bento, Robin DiAngelo, Janet Helms, Bader Sawaia, Virgínia Bicudo e o experimento dos bonecos, que começou tudo.

    Filosofia como arte de viver. Porque entender o que a sociedade faz com a nossa mente é o primeiro passo para decidir o que a gente faz com esse entendimento.

    Sugestões para aprofundamento:

    Peles Negras, Máscaras Brancas (Fanon): https://amzn.to/47KebCd

    Torna-se Negro (Neusa Santos Souza): https://amzn.to/4dwtySs]

    SKH, From Black Psychology to the Science of Being (Wade Nobles): https://amzn.to/4cpfI34

    O Pacto da Branquitude (Cida Bento): https://amzn.to/4vdkdoM

    Não Basta Ser Racista, Sejamos Antirracista (Robin DiAngelo): https://amzn.to/4mesHIm

    Um Guia para Ser uma Pessoa Branca Antirracista (Janet E. Helms): https://amzn.to/4mdlnMR

    As Artimanhas da Exclusão (Bader Sawaia): https://amzn.to/4c2YI1e

    Virgínia Bicudo: A Trajetória de uma Psicanalista Brasileira (Jorge Luiz Ferreira Abrão): https://amzn.to/48jDpHF

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