Épisodes

  • Os Incels
    Mar 21 2025
    A cultura incel (abreviação de "involuntary celibates", ou celibatários involuntários) é um fenômeno social e online que surgiu inicialmente como uma comunidade de apoio para pessoas que se sentiam isoladas e incapazes de formar relacionamentos românticos ou sexuais. No entanto, ao longo do tempo, o termo foi apropriado por um grupo predominantemente masculino que adotou uma visão misógina, extremista e às vezes violenta. Os incels acreditam que a sociedade está estruturada de forma a privilegiar homens considerados atraentes (chamados de "Chads") e mulheres que preferem esses homens (chamadas de "Stacys"). Eles frequentemente culpam as mulheres e a sociedade moderna por sua exclusão sexual e romântica, adotando uma visão niilista conhecida como "blackpill", que afirma que a atratividade física e o sucesso romântico são determinados geneticamente e, portanto, imutáveis. Essa ideologia é marcada por sentimentos de raiva, ressentimento e desesperança, e em alguns casos, pode levar à radicalização e à violência. Quando ocorrem, trata-se de crimes de ódio. O termo "incel" tornou-se perigoso devido à radicalização de parte dessa comunidade, que passou a adotar discursos de ódio misógino, homofóbico e, em alguns casos, racista. A identificação com o termo pode levar indivíduos a internalizar uma visão de mundo extremamente pessimista e distorcida, onde a violência é vista como uma forma de resistência ou vingança contra um sistema que eles acreditam que os oprime.
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    19 min
  • Tratamento Hormonal (“Castração Química”) para Apenados com Transtorno Pedofílico?
    Dec 13 2024
    oA “castração química” tem sido usada para evitar o comportamento sexual patológico/donoso e para prevenir a reincidência criminal entre agressores sexuais desde a década de 1940. Atualmente, as legislações em cerca de nove Estados Americanos e vários países europeus permitem a “castração” dirigida principalmente a indivíduos que apresentam um Transtorno Parafílico. É importante frisar que nem todos os agressores sexuais têm um diagnóstico de Transtorno Parafílico, e que Transtorno Parafílico não é sinônimo de agressor sexual. De qualquer forma, os Transtornos Parafílicos são de fato mais prevalentes entre agressores sexuais do que na população geral. Nos Estados Unidos da América, a “castração” é formalmente opcional em alguns estados, enquanto em outros é obrigatória ou mesmo uma condição sine qua non para a liberação do cárcere. Na Europa, a abordagem dominante é oferecer a “castração” como uma intervenção formalmente opcional ou voluntária (Koo, Ahn, Hong, Lee, & Chung, 2014). Estudos têm, de fato, relatado que a “castração química” é uma estratégia eficaz na redução da reincidência, na prevenção da agressão sexual contra menores, na melhoria da qualidade de vida dos indivíduos parafílicos e na redução do ônus individual e social do comportamento sexualmente ofensivo (Grubin & Beech, 2010; Koo et al., 2013), desde que associada com psicoterapia especializada e outras formas de abordagem médica e psicossocial. Existem vários senões e porquês de adotar esse procedimento nos cenários jurídicos, como por exemplo: Preocupações éticas: Questiona-se se profissionais médicos podem e/ou devem estar envolvidos no procedimento sendo feito involuntariamente. A penalização química não é a mesma coisa do que o tratamento médico com medicações hormonais! O uso involuntário da “castração química” é muito mais uma forma de controle social ao invés de um tratamento puramente médico. Aqui, levanta-se um grave conflito entre o papel do médico no bem-estar do paciente e o objetivo social de segurança pública. Eficácia: Apesar das dificuldades no desenvolvimento de pesquisas farmacológicas bem desenhadas, existem algumas evidências de que a “castração química” é eficaz na redução das taxas de reincidência criminal sexual. Poucos estudos mostram taxas de reincidência significativamente mais baixas naqueles que se submeteram a esses procedimentos em comparação com outros métodos de tratamento. No entanto, a falta de estudos duplo-cegos controlados por placebo (devido às preocupações éticas) contribui para dúvidas sobre a efetividade de procedimento. Efeitos colaterais: A “castração química” pode trazer efeitos colaterais significativos, incluindo osteoporose, doenças cardiovasculares, anormalidades metabólicas e ginecomastia. Por isso, se for determinada a realização de um tratamento hormonal, médicos psiquiatras altamente especializados no assunto devem estar incluídos. Contexto do tratamento: As intervenções médicas (como seria o caso do Tratamento Hormonal) devem fazer parte de um plano de tratamento mais amplo envolvendo psicoterapias específicas e supervisão. Não se trata de uma solução autônoma! No contexto médico, a importância do consentimento informado do infrator é evidente. Contexto legal e político: Os cenários legal e político em torno da “castração química” em vários países variam abundantemente e não faltam interesses políticos na aprovação de certos projetos de Lei. Destaco, aqui, que as propostas de abordagens são variadas e a influência de crimes sexuais de alto perfil nas decisões políticas é decisiva. Defendemos uma abordagem cautelosa para a chamada “castração química”. Embora reconheçamos a sua eficácia relativa na redução da reincidência, enfatizamos fortemente as considerações éticas e médicas. A ênfase deve ser dada no consentimento informado e na integração dentro de uma estratégia terapêutica ampla, não apenas como método de punição ou controle social.
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    18 min
  • Sequestro de Crianças
    Nov 25 2024
    Os sequestros de crianças nos países da Europa Ocidental são relativamente raros, representando apenas 0,12% de todas as condenações violentas anualmente (média de 44 condenações por ano). No entanto, enfatizamos que essa baixa prevalência não diminui a gravidade do crime. Autores têm elaborado uma tipologia dos sequestradores de crianças, com a finalidade de melhor entendê-los bem como aprimorar os meios de identificá-los. Os dados revelam que a maioria dos sequestros (80%) é cometida por perpetradores não familiares, com os sequestros por motivação sexual compreendendo o maior grupo. Os sequestros familiares (20%) são predominantemente motivados pelo desejo de custódia. Portanto, embora a taxa geral seja baixa, as motivações específicas e os perfis dos perpetradores mostram um quadro mais complexo. Pesquisas adicionais com um conjunto de dados maior podem dar uma ideia mais precisa da prevalência. Principais tipologias por Motivação Sexual (60%): Este tem sido o motivo mais frequente, com vítimas do sexo feminino superando significativamente as vítimas do sexo masculino. Custódia (15%): Este motivo é associado exclusivamente a sequestros familiares, motivados principalmente por disputas parentais. Desejo Materno (15%): Este está exclusivamente ligado a mulheres infratoras não familiares. Outros (10%): Esta categoria engloba diversos motivos, como religiosos, roubo (com crianças presentes incidentalmente), etc. Este grupo tem o nível mais alto de histórico criminal e é principalmente de natureza não familiar. Características da vítima: Embora não totalmente documentados, os dados disponíveis indicam que as vítimas do sexo feminino são mais numerosas do que as vítimas do sexo masculino em todos os tipos de sequestro. As vítimas de sequestros por motivação sexual têm uma idade média significativamente maior em comparação com outras categorias (10 anos versus 1 ano, respectivamente). Características do Infrator: Os quatro tipos de sequestradores apresentam padrões distintos. Os sequestradores sexualmente motivados têm taxas significativamente mais altas de crimes sexuais e violentos anteriores e consistem na única categoria com sequestro anterior de crianças. Os sequestradores sob custódia tendem a ter menos antecedentes criminais e consistem principalmente de pais distantes. Os sequestradores por desejo materno são exclusivamente mulheres infratoras não familiares com baixo histórico criminal e vítimas jovens. O grupo "Outros" mostra grande heterogeneidade na história criminal. Comparação com a pesquisa dos EUA: Os resultados das pesquisas europeias se alinham amplamente com os resultados da pesquisa dos EUA, particularmente no que diz respeito à alta proporção de abduções não familiares e à prevalência de motivação sexual em casos não familiares. Os estudos destacam a heterogeneidade dos eventos de sequestro de crianças, desafiando a única categoria de "ofensa violenta" usada nas estatísticas oficiais de crimes. Eles ressaltam o papel significativo da motivação sexual e a necessidade de uma compreensão mais sutil das tipologias de sequestro de crianças para melhorar as estratégias de prevenção e intervenção.
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    12 min
  • Aula "Transtornos Parafílicos – Foco em Pedofilia" COMU XLIII 18/10/2024
    Oct 19 2024

    Congresso Médico Universitário – Faculdade de Medicina da USP – 18/10/2024


    A apresentação “Transtornos Parafílicos – Foco em Pedofilia”, ministrada pelo Prof. Dr. Danilo Antonio Baltieri, oferece uma visão abrangente e complexa do transtorno pedofílico, situando-o dentro do espectro mais amplo dos transtornos parafìlicos. A aula aborda a problemática da sua definição, diagnóstico e tratamento, destacando as dificuldades inerentes a essa área e os desafios que a pesquisa enfrenta.

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    30 min
  • Frotteurismo
    Sep 30 2024

    Frotteurismo deriva de uma palavra francesa, frotter, que significa esfregar, irritar, golpear ou acariciar. O Frotteurismo refere-se a tocar e/ou esfregar o corpo, especialmente as partes íntimas, contra uma pessoa que não consentiu. O comportamento geralmente ocorre em locais lotados, como shoppings, elevadores, veículos de transporte público, ônibus, metrôs, calçadas movimentadas e festivais públicos. Lugares lotados oferecem oportunidades únicas para o frotteur, não apenas porque ele pode facilmente mascarar o seu comportamento de se esfregar, mas também porque ele pode escapar mais facilmente da detecção e de uma possível prisão.

    O toque pode ser direcionado a uma determinada parte do corpo ou pode ser uma carícia mais geral. A atividade geralmente é realizada por um pessoas do sexo masculino em direção a uma mulher.


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    16 min
  • Asfixiofilia
    Aug 29 2024

    “John, um estudante de 17 anos, relatou que começou a se masturbar na idade de sete anos com pensamentos envolvendo meninas e mulheres jovens. Porém, após o início da adolescência, aos 12 anos, ele também começou a se interessar sexualmente por outros meninos. Ele afirmou que eram principalmente os pescoços dos meninos que o atraíam, mas apenas se fossem “lisos e de aparência feminina”; pelos faciais não o atraíam...

    Ele também descreveu como, desde os 15 anos, ele começou a se “enforcar” mais ou menos uma vez por semana. Durante essas sessões de “enforcamento” ele se masturbava com fantasias de fazer sexo tanto com homens quanto com mulheres. Ele explicou que uma de suas fantasias envolvia uma outra pessoa estrangulando-o e que ele poderia ficar sexualmente excitado simplesmente pensando nessa cena. Ele afirmou que foi essencialmente aquela “sensação de asfixia” que o despertara sexualmente.

    Ele negava qualquer interesse sexual em travestismo, escravidão ou qualquer outra parafilia. Ele indicou ainda que não gostava de qualquer tipo de dor.

    John não conseguia se lembrar do que o levou a tentar a autoasfixia, mas acreditava que ele havia descoberto por acidente. Ele amarrava as duas pontas de uma corda a um gancho preso na parede acima da cama, deitava-se e colocava a cabeça no laço. Geralmente ele fazia esse enforcamento enquanto estava vestido e se masturbava por cima das roupas ao invés de tirar o pênis. Às vezes, porém, ele asfixiava-se nu após sair do chuveiro. Como técnica alternativa de asfixia ele enterrava o rosto em um travesseiro enquanto se masturbava.

    Ele era ambivalente em relação a esses comportamentos sexuais, dizendo: “Quanto mais incomum, maior é a minha excitação”. E ele saboreava a sua “vida secreta”. Ao mesmo tempo, ele tinha medo de que, de forma inadvertida, deixasse escapar o seu mais “nobre” segredo.

    John estava bem ciente dos riscos envolvidos com a prática da autoasfixiofilia, porque já tinha ouvido falar sobre outros jovens que haviam tido um desenlace infeliz com tal comportamento sexual. Em uma ocasião, ele desmaiou enquanto estava suspenso, mas recuperou a consciência.

    As ocasiões em que ele se sentiu mal devido à asfixia faziam-no assustado e ele chegou a tentar cessar o comportamento por várias vezes, mas sem sucesso. O impulso sempre retornava... Na época em que ele procurou ajuda médica, John afirmou que não corria perigo algum, porque colocava a corda de tal uma maneira que ele poderia “escapar facilmente”. Acrescentou, no entanto, que esperava poder diminuir esse comportamento e, às vezes, conseguia reduzir a frequência.

    Ele também descreveu sentimentos de depressão e dificuldades de socialização com seus colegas de tal forma que ele frequentemente tinha pensamentos suicidas. Estes pensamentos depressivos estavam amalgamados com as suas fantasias e comportamentos sexuais. John costumava afirmar: “parece uma estranha relação entre o prazer inenarrável do sexo e a morte por suicídio”.

    O parto de John foi difícil e o seu cordão umbilical ficou enrolado no seu pescoço, causando algum dano cerebral relacionado com a hipóxia. Apresentou retardo no seu desenvolvimento neuropsicomotor. Ele também andava desajeitadamente e tinha dificuldades com o controle motor fino. Testes psicológicos foram feitos à época da busca por auxílio médico e os relacionados à inteligência indicaram um QI verbal superior (WAIS-R), mas pontuações médias em itens como desempenho. Havia problemas com a sua destreza manual e com a velocidade da resposta; todavia, a sua memória, a atenção e a concentração estavam todas intactas.

    Após as avaliações neuropsicológicas e um período breve de acompanhamento médico especializado, John desapareceu de vista até que, meses depois, a equipe médica e de psicólogos que o seguia foi informada de que John morrera por enforcamento aos 21 anos de idade. Dentre várias avaliações pericias post-mortis, o seu computador pessoal revelou que John estava participando de um grupo de autoasfixiofílicos, trocando mensagens e fotos privadas com o membros do dito grupo” (Hucker, 2017).

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    27 min
  • Exibicionismo – Da lascívia ao ato criminoso
    Aug 23 2024

    O exibicionismo como um transtorno foi descrito pela primeira vez em uma revista científica em 1877 por um médico francês Charles Lasègue (1809-1883). Apesar disso, a história tem mostrado figuras talhadas em pedras do exibicionismo feminino; por exemplo, as Sheelas, esculturas figurativas de mulheres nuas exibindo uma vulva exagerada, encontradas em igrejas, castelos e outros edifícios, especialmente na Irlanda e na Grã-Bretanha datadas do século XII. Entre as explicações para essas esculturas, é que elas serviriam como uma advertência religiosa contra os pecados da carne. Isso é possível que tais esculturas tenham sido influenciadas por casos de mulheres exibicionistas ocorridos naquela época.

    Assassino em série americano Jeffrey Dahmer (1960–1994) exibiu muitas parafilias simultaneamente, sendo o exibicionismo uma delas.

    Mas apenas em 1950, o exibicionismo foi definido como “o ato de expor o órgão sexual em público para a satisfação da lascívia do expositor”.

    Embora o exibicionismo não seja um fenômeno novo, não foi incluído no Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais [DSM] até o ano de 1980. Desde então, a definição clínica do transtorno exibicionista permaneceu relativamente inalterada e cai na categoria dos transtornos parafílicos junto com outros, tais como o voyeurismo, o fetichismo, o frötteurismo, o sadismo sexual, a pedofilia, dentre outros.

    O exibicionismo, quando praticado, é também considerado um crime sexual, portanto ilegal (Ato Obsceno). O ato de expor em um contexto público ou semipúblico aquelas partes do corpo que normalmente não são expostas (órgãos genitais) com objetivos de gratificação sexual provoca um ultraje ao pudor público.

    A prática pode surgir de um desejo/impulso incontrolável para expor as partes íntimas para estranhos com o objetivo da satisfação da lascívia.

    Apesar das indicações de que os atos de exibicionismo são eventos frequentes, esta parafilia somente tem recebido mais atenção médica e de pesquisadores nos últimos anos.


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    26 min
  • Símbolos Identificadores entre Pedófilos?
    Aug 14 2024

    Publicado originalmente no portal G1

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    5 min