Matrescência
sobre a metamorfose da gravidez, do parto e da maternidade
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Lu par :
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Maria Manoella
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De :
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Lucy Jones
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Mika Lins
Nesta investigação inovadora e pessoal, a jornalista científica Lucy Jones parte da própria experiência de maternidade para explorar as transformações físicas, mentais e sociais que as mulheres vivenciam ao se tornarem mães. Valendo-se de um amplo conjunto de pesquisas de diversos campos — neurociência, biologia evolutiva, psicanálise, ciências sociais, filosofia e ecologia —, Jones demonstra que, ao longo desse processo de transição, as mudanças no corpo e no cérebro são muito mais profundas e duradouras do que fomos levados a acreditar, e que o trabalho de cuidado é mais indispensável do que estamos dispostos a reconhecer.
Ao direcionar o olhar para o desenvolvimento da mãe e não o do bebê, a autora articula o conceito de "matrescência" — cunhado nos anos 1970 pela antropóloga Dana Raphael, que compara esse período à infância e à adolescência — e o localiza nos dias atuais, descrevendo o impacto do capitalismo na perpetuação do isolamento das mães e nas expectativas irreais e opressivas em torno da maternidade.
Sob um ponto de vista abrangente e meticuloso, a autora apresenta questões pouco exploradas pelo poder público, como o fato de episódios depressivos dobrarem na matrescência e de esse número ser ainda maior entre pessoas negras e grupos socioeconômicos vulneráveis. Além de temas pouco debatidos dentro e fora da comunidade científica: as alterações cerebrais e hormonais durante e após a gravidez; o histórico de intervenção médica durante o parto e as iniciativas para minimizar a dor; o silêncio em torno da amamentação mista; a adaptação cognitiva que acomete inclusive os cuidadores não gestantes, entre outros.
Intercalando os capítulos com descrições do processo de metamorfose de outros seres vivos, Jones mostra que a mudança dita "natural" nem sempre é bela, e que nossas ideias de um "instinto" materno são, em grande parte, inventadas. Assim, Matrescência nos conduz a outras formas de pensar e de cuidar, convidando a reimaginar uma experiência que é, acima de tudo, política, repleta de "conflito, dominação, drama, luta e poder".
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