Épisodes

  • EUA: “O Estado de Direito é para todos e não apenas para quem votou em Trump”
    Jan 27 2026

    Renee Good e Alex Pretti foram abatidos por agentes do ICE, a polícia que combate a imigração ilegal e que ocupou o Estado do Minesota, nos EUA. A primeira foi abatida por agentes que alegaram terem sido vítimas de atropelamento e o segundo, um enfermeiro dos cuidados intensivos de um hospital de veteranos, foi morto em suposta legítima defesa.

    A administração de Donald Trump foi rápida a classificar Renee Good e Alex Pretti como terroristas domésticos, mas os vários vídeos em circulação, e o trabalho dos media, desmentem estas acusações.

    Não é por acaso que isto acontece no Minesota, que tem sido destino de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial, sobretudo a partir da década de 70, quando acolheu milhares de vietnamitas do Sul.

    Minneapolis não é das cidades dos EUA com mais imigrantes. Mas foi aqui que George Floyd foi asfixiado até à morte por um polícia, dando origem ao movimento Black Lives Matter, e este é o Estado governado por Tim Waltz, o candidato democrata à vice-presidência nas últimas eleições.

    É sobre tudo isto que iremos conversar com a convidada deste episódio. Daniela Melo, cientista política e professora da Universidade de Boston, nos EUA, fala na militarização das forças de segurança e diz que o “Estado de Direito é para todos e não apenas para quem votou em Donald Trump”.

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  • Vítimas de assédio no trabalho: sofrer em silêncio ou denunciar?
    Jan 26 2026

    No ano passado, a Autoridade para as Condições do Trabalho recebeu 3490 pedidos de intervenção em casos de assédio moral e sexual no local de trabalho, mas apenas aplicou 20 contraordenações durante aquele período. O que é que explica esta discrepância?

    Existe um abismo entre o número de queixas apresentadas e a realidade das relações laborais. E um grande desconhecimento quanto à sua dimensão. O último grande estudo sobre os vários tipos de assédio em contexto laboral data de 2016, ainda antes do movimento #MeToo.

    Segundo esse estudo, 16,5% da população activa dizia já ter sido vítima de assédio moral e 12,6% de assédio sexual no local de trabalho. As mulheres surgiam como principais vítimas de assédio moral e sexual, enquanto os homens eram mais vítimas de assédio moral do que sexual.

    O primeiro grande inquérito a nível mundial, desenvolvido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), em 2022, revelou que mais de uma em cada cinco pessoas empregadas sofrera violência e assédio no trabalho.

    E que, como é habitual, apenas metade das vítimas inquiridas falara com outra pessoa sobre o sucedido.

    Neste episódio falamos com Natália Faria, editora da secção de Sociedade do PÚBLICO e autora da notícia que hoje publicamos sobre este tema.

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  • Extrema-direita chegou tarde, mas cresceu rápido. Porquê?
    Jan 23 2026

    Durante muitos anos, Portugal esteve imune ao crescimento do populismo de extrema-direita, ao contrário do que acontecia em grande parte dos países da União Europeia. Mas bastaram seis anos para que o Chega de André Ventura passasse de um único deputado para segunda força parlamentar, em 2025. Os 60 deputados do Chega abalaram os alicerces do bipartidarismo, dado até aí como garantido.

    A primeira volta das eleições presidenciais consolidou o peso eleitoral de André Ventura, o segundo candidato mais votado, com uma percentagem de 23,52% que ficou muito à frente do candidato do PSD e do Governo, e que irá disputar a segunda volta com António José Seguro. O Chega combina nativismo, autoritarismo e uma xenofobia específica contra a comunidade cigana e o seu sucesso pode ser atribuído, entre outras causas, à activação de um eleitorado propenso à abstenção, à visibilidade do seu líder e à utilização das redes sociais.

    É o que defendem vários investigadores, portugueses e estrangeiros, que participam na obra colectiva Chega: The New Portuguese Far Right, publicada, recentemente, pela Routledge. Este livro conclui que a normalização mediática e política do Chega permitiu o seu crescimento entre um eleitorado moderado e atraiu militantes à procura de uma oportunidade na política.

    O convidado deste episódio é João Carvalho, o coordenador deste livro. Cientista político e investigador do Iscte, João Carvalho tem vindo a estudar os movimentos da extrema-direita europeia.

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  • O que a Operação Irmandade nos mostrou sobre o extremismo racista e da extrema-direita em Portugal
    Jan 22 2026

    Em Portugal, a acção de grupos associados a movimentos racistas ou nacionalistas da extrema-direita entrou definitivamente na ordem do dia e no centro da preocupação dos cidadãos e das autoridades. No seu substrato estão os discursos contra imigrantes e estrangeiros, o apego a um nacionalismo excludente e sectário e uma deriva religiosa, em especial contra os muçulmanos, que os situa na categoria dos fundamentalistas. Tudo feito nas cavernas da internet com doses industriais de violência e intimidação

    Aqui e ali, muitos destes grupos dirigidos por conhecidos militantes da extrema-direita, como Mário Machado, que está de novo na prisão, empenham-se em diversificar o seu programa de acção, que consiste em manifestações em datas relevantes, como o 25 de Abril, que a reportagem da SIC captou. Outras vezes, dedicam-se a agredir imigrantes ou a disseminar discurso de ódio. As autoridades dão conta que esse tipo de crime cresceu sete vezes desde 2019.

    A actividade destes grupos, não podia deixar de ser acompanhada pelas autoridades. Esta semana, a operação Irmandade mobilizou mais de 300 operacionais em buscas por todo o país e levou à detenção de 37 extremistas e a constituição de arguido de outros 17. Foram apreendidas armas e propaganda à ideologia fascista ou nazi. A prioridade da polícia judiciária é travar o crescimento destas redes. Porque os números trazidos por Luís Neves, director nacional da Polícia Judiciária, são alarmantes.

    Para avaliarmos o nível desta ameaça à segurança e às liberdades públicas em Portugal, convidámos para este episódio Cátia Moreira de Carvalho, doutorada em Psicologia e investigadora do fenómeno dos extremismos em vários projectos sedeados em universidades portuguesas e europeias.

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  • Um ano depois, Trump já é o dono da América
    Jan 21 2026

    Há um ano, quando tomou posse, prometeu uma era dourada para os EUA. Não foi bem o que aconteceu. Donald Trump mudou radicalmente os EUA e a ordem internacional. Estava tudo previsto, ou quase tudo, no chamado Projecto 2025, o guião elaborado pela ultraconservadora Fundação Heritage.

    A centralização do poder no presidente (em detrimento do congresso), o desmantelamento da administração federal (a substituição de funcionários públicos por fieis funcionários), a instrumentalização do Departamento de Justiça para perseguir os seus inimigos (como o chairman da Reserva Federal, Jerome Powell), o negacionismo na ciência e a abolição do Departamento de Educação, a caça ao imigrante e as deportações em massa, a estigmatização das minorias, o controlo político das universidades ou da liberdade de expressão.

    A lista de tropelias é longa. Demasiado longa. Mas Trump não quer ser apenas dono da América. Também parece que quer ser dono disto tudo. A nova Estratégia de Segurança Nacional consagra a lei da força e o regresso ao expansionismo do século XIX. A visão imperial de Trump já teve o episódio venezuelano, com o rapto de Nicólas Maduro. Quais serão os próximos?

    O presidente dos EUA tem pressionado Panamá, Colômbia, Canadá ou Dinamarca. A sua nova exigência é a Gronelândia.

    Como é que a União Europeia se pode defender do antigo aliado caso este se torne a sua principal ameaça?

    Neste episódio, Diana Soller, investigadora do Instituto Português de Relações Internacionais da Universidade Nova de Lisbia, faz o balanço de um ano de mandato de Donald Trump.

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  • 8 de Fevereiro, um dia crucial para o futuro da política em Portugal
    Jan 20 2026

    Faltam três semanas para sabermos que vai suceder a Marcelo Rebelo de Sousa em Belém. Quando os resultados de domingo começam a ser digeridos, chega a hora de tentar entender as consequências que a primeira volta pode trazer para a situação política e analisar a correlação de forças entre os candidatos apurados para a escolha final de 8 de Fevereiro, António José Seguro e André Ventura. Numa eleição surpreendente, em que os favoritos ficam em lugares muito abaixo na tabela e o patinho feito da campanha, Seguro vence com uma boa margem, só Ventura foi capaz de conservar a sua posição entre as sondagens e as urnas de voto. O que revela a enorme fidelidade do seu eleitorado.

    Há questões a ponderar para o futuro. A derrota do candidato do Governo prova que a relação entre o país e o Governo de Luís Montenegro está longe de ser incondicional. A dispersão do eleitorado da AD por Gouveia e Melo e Cotrim Figueiredo é um desafio para os estrategas do Governo. O poder do Governo para influenciar a escolha presidencial foi menos que nula: foi negativa, funcionou ao contrário.

    E agora, qual a melhor escolha? Numa eleição que, mais do que um clássico esquerda/direita será uma batalha entre um candidato da esfera democrática e um candidato populista que há semanas pedia três Salazares para Portugal, adivinha-se muita paixão e muita incerteza. A ambiguidade de Montenegro, de Cotrim ou de Gouveia e Melo estabelece um padrão que vai ser muitas vezes invocado nos combates que se adivinham. Por esse lado, esta eleição cumpre as suas expectativas: vai ter uma enorme influência no futuro.

    Vamos discutir o que aconteceu e o que pode vir a acontecer e para esse fim convidámos para este episódio o historiador e cientista político António Costa Pinto, presentemente Investigador Aposentado no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e Professor Convidado no ISCTE, Lisboa.

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  • Presidenciais: o discurso da moderação venceu o discurso da polarização
    Jan 19 2026

    António José Seguro ou André Ventura? Confirmaram-se as previsões. O eleitorado vai escolher um deles como Presidente da República, a 8 de Fevereiro. O primeiro, com 30% dos votos, é o vencedor inesperado destas eleições, após 10 anos longe da vida política e de ter tido um apoio hesitante do seu próprio partido. José Luís Carneiro, líder do PS, pediu a todos os democratas que se unissem numa segunda volta, associando-se a esta vitória.

    O facto de André Ventura, chegar à segunda volta, com 24% dos votos, significa que o Chega continua a manter um eleitorado fidelizado e permite-lhe dizer que é o novo líder da direita”.

    João Cotrim, com 15%, foi o terceiro candidato mais votado, reforçando a fragmentação da direita, situando-se à frente de Luís Marques Mendes, que teve 12%, um pouco menos do que a votação de Henrique Gouveia e Melo. Nunca um candidato apoiado pelo PSD ou por um partido do Governo tinha obtido resultados tão baixos. Mendes não quis pronunciar-se sobre quem escolher numa segunda volta.

    E Luís Montenegro, primeiro-ministro e líder do PSD, também não, com o argumento de que o espaço político do seu partido não estará representado a 8 de Fevereiro.

    Filipe Teles, cientista político e investigador da Universidade de Aveiro, analisa os resultados da noite eleitoral e explica que a vitória de Seguro foi a vitória da política do normal e da moderação.

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  • A temperatura da campanha medida pelos repórteres do PÚBLICO
    Jan 16 2026

    Os cinco principais candidatos a passarem à segunda volta das eleições presidenciais viveram as últimas duas semanas uma corrida ombro a ombro que continua longe de estar resolvida. Nas feiras, mercados, no circuito da carne assada dos comícios Portugal fora, foram-se medindo, combatendo à espera de um erro do adversário capaz de acabar com o empate técnico. Pelo caminho, sofreram as agruras ou os incentivos das sondagens, criaram ou foram vítimas de ataques sobre a sua idoneidade, fizeram a apologia da confiança, da estabilidade, da ousadia, da experiência ou da novidade para se consolidarem nas intenções de voto. Chegaram ao fim com tudo em aberto, embora António José Seguro e André Ventura tenham mais razões para estar optimistas sobre a passagem à segunda volta.

    Neste episódio especial do P24, quisemos saber que avaliações fazem os nossos repórteres que acompanharam as cinco candidaturas deste percurso. Da animação ou depressão na rua, há sempre a possibilidade de captar sinais que escapam às sondagens. Vamos por isso saber o que se passou nas rotas da campanha pelo país com Joana Mesquita, Maria do Céu Lopes, Ana Begonha e Filipe Santa-Bárbara.

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