Couverture de NOTAS DE UM PSIQUIATRA

NOTAS DE UM PSIQUIATRA

NOTAS DE UM PSIQUIATRA

De : Hamer Palhares
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Escolhi psiquiatria porque a divisão parecia óbvia pra mim: corpo ou mente. Hoje, com a prática, não tenho tanta certeza dessa fronteira. A maioria dos conteúdos de saúde mental oferece informação, mas esconde quem fala. Eu prefiro o contrário. Sou Hamer Palhares, médico Psiquiatra formado há pouco mais de um quarto de século. Notas de um Psiquiatra é um espaço onde você espia meus apontamentos — o que aprendo no consultório, nas leituras e no interesse que não para de crescer pela mente humana.Hamer Palhares Hygiène et vie saine Psychologie Psychologie et psychiatrie Tous les jours
Épisodes
  • 44. ESTIMULANTES E RISCO CARDIOVASCULAR
    Jun 18 2026

    Não é o infarto — TDAH, coração e 14 anos de dados


    Saiu na JAMA Psychiatry, no fim de 2023, o seguimento mais longo já feito sobre medicação de TDAH e coração: 278 mil pessoas na Suécia, acompanhadas por até 14 anos. Eu queria conversar sobre ele sem o pânico de manchete. Cada ano de uso se associou a 4% a mais de risco cardiovascular, com a curva subindo nos primeiros três anos e estabilizando depois. E o risco não estava no infarto nem na arritmia — estava na hipertensão e na doença arterial. Para mim, isso não é argumento para largar o tratamento; é argumento para medir a pressão. O cálculo nunca é remédio contra nada — é remédio acompanhado contra um TDAH sem tratamento, que também cobra do corpo. Este episódio do Notas de um Psiquiatra é sobre transformar um risco silencioso num dado visível.


    Referências:

    Zhang L, Li L, Andell P, et al. Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder Medications and Long-Term Risk of Cardiovascular Diseases. JAMA Psychiatry. 2024;81(2):178-187. doi:10.1001/jamapsychiatry.2023.4294


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    Dr. Hamer Palhares

    PS: Conteúdo de caráter meramente informativo.

    @drhamerpalhares

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  • 43. MDMA, SELF E TRAUMA.
    Jun 17 2026

    MDMA, ínsula e o self que o trauma complexo desfaz

    O trauma complexo não apaga a memória — apaga o modelo. É o que propõe uma revisão de Hohwy, Gerrans e colaboradores no European Journal of Psychotraumatology, ligando filosofia da mente, ínsula e MDMA-assisted numa síntese rara. Neste episódio do Notas de um Psiquiatra eu atravesso esse modelo: por que o cérebro prevê o corpo antes de senti-lo, por que a ínsula é onde "eu sinto" vira "eu sou", e por que o trauma prolongado cola essa previsão na expectativa permanente de dano. No fim, uma virada fenomenológica sobre o que se vive dentro da janela MDMA. Não é milagre. É permitir ao cérebro a chance de testar outra hipótese.

    Referências:


    Gerrans P, McGovern HT, Hohwy J, Oestreich LKL. A neurocognitive account of complex PTSD: self-modelling, affective dysregulation, and implications for MDMA-assisted and targeted psychotherapies. European Journal of Psychotraumatology. 2026. doi:10.1080/20008066.2026.2631358

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  • 42. MANIA E DEPRESSÃO: POLARIDADES CEREBRAIS?
    Jun 16 2026

    A polarização do cérebro entre mania e depressão

    Aprendemos a psiquiatria pensando em mania e depressão como opostos de humor. Mas talvez não seja o nível certo de descrição. Neste episódio do Notas de um Psiquiatra eu discuto um estudo de grupos de Taipei, Gênova e Michigan, publicado em 2026 no Dialogues in Clinical Neuroscience, com 142 pessoas. Em mania, o cérebro passa mais tempo nas redes sensório-motoras e na ínsula — ancorado no mundo de fora. Em depressão, mais tempo na rede default-mode — voltado para dentro. Não são opostos de humor: são direções opostas de uma mesma polarização. É uma fotografia, não um filme — não replicada, só bipolaridade — mas é uma ponte rara entre a fenomenologia clássica e a neurociência de redes.

    Referências: Martino M, Magioncalda P, Conio B, Amore M, Huang Z. Polarisation of brain dynamics in mania and depression. Dialogues in Clinical Neuroscience. 2026;28(1):10–20. doi:10.1080/19585969.2026.2663032

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    Dr. Hamer Palhares PS: Conteúdo de caráter meramente informativo. @drhamerpalhares

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