Épisodes

  • #359 Ir a Auschwitz ainda faz sentido
    Jan 28 2026

    A Marcha da Vida ainda faz sentido? Para muita gente, a Marcha da Vida, programa que leva jovens judeus a um percurso de duas semanas entre Polônia, Berlim e Israel, foi uma experiência transformadora, quase um rito de passagem. Mas hoje, em um mundo atravessado por guerras, polarizações, disputas de narrativa e um crescimento preocupante do antissemitismo, essa experiência é interrogada de novas formas.

    O que significa caminhar por campos de extermínio num momento em que a memória da Shoá é relativizada ou instrumentalizada? Como falar de Israel com jovens que vivem tensões políticas, éticas e afetivas em relação ao Estado? E de que forma o programa pode continuar sendo um espaço de educação, memória e reflexão crítica para as juventudes judaicas diversas de hoje? Para conversar sobre o tema, convidamos mais uma vez o Yoel Schvartz, sociólogo e historiador, professor de história judaica e palestrante no Yad Vashem, o museu do Holocausto em Jerusalém. Nasceu na Argentina, mora em Israel faz trinta anos, foi diretor do instituto para a formação de liderança em Jerusalém e morou no Brasil no começo dos anos dois mil - por isso, fala português.

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    42 min
  • #358 O que está acontecendo no Irã?
    Jan 21 2026

    No final de 2025, o Irã voltou ao centro do noticiário internacional, mas não por uma guerra externa ou por negociações nucleares. O que vemos agora são protestos internos de grande escala, espalhados por diversas cidades, impulsionados por uma combinação explosiva de crise econômica, repressão política e desgaste profundo do regime. Com relatos de milhares de mortos, prisões em massa e apagões de internet, as manifestações levantam uma pergunta central: estamos diante de mais um ciclo de repressão brutal ou de uma fissura estrutural no sistema político iraniano?

    O Irã de hoje expõe um dilema conhecido em outros contextos autoritários: um Estado que se sustenta pela repressão, mas que enfrenta uma sociedade cada vez mais fragmentada, cansada e sem ilusões. Ao mesmo tempo, a oposição, dentro e fora do país, aparece dividida, disputando legitimidade, narrativas e até símbolos do passado. Enquanto o regime acusa interferência estrangeira e tenta controlar a informação, manifestantes arriscam a vida em um ambiente de violência extrema e isolamento digital. Para discutir o que está por trás dessas manifestações, os limites da oposição iraniana, o papel da comunidade internacional e os cenários possíveis para o futuro do país, a gente conversa hoje com Monique Sochaczewski, doutora em História, Política e Bens Culturais, professora do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) e Cofundadora e Pesquisadora Sênior do Grupo de Estudos e Pesquisa sobre o Oriente Médio (GEPOM)

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    45 min
  • #357 Mamdani e o antissionismo
    Jan 14 2026

    Nos últimos anos, o debate sobre antissemitismo voltou ao centro da política global. Mas não apenas como um fenômeno ligado à extrema direita, às teorias conspiratórias ou ao negacionismo histórico. Cada vez mais, ele também aparece em ambientes progressistas, em discursos que se apresentam como antirracistas, decoloniais ou defensores dos direitos humanos. Em cidades como Nova York, lar da maior comunidade judaica fora de Israel, esse debate ganhou contornos muito concretos: decisões institucionais, disputas simbólicas e tensões reais sobre segurança, liberdade de expressão e pertencimento. Quando o antissemitismo deixa de ser apenas uma ideologia e passa a moldar políticas públicas, em ambos os lados do espectro político, o que está realmente em jogo?


    A ascensão de figuras políticas ligadas à extrema direita e à extrema esquerda tem revelado algo inquietante: apesar das diferenças ideológicas profundas, certos discursos se encontram quando o assunto é o judeu, seja como símbolo de poder, de opressão ou de ameaça. Em Nova York, a eleição de Zohran Mamdani e decisões como o fim da proibição de protestos em frente a sinagogas reacenderam um debate sensível: onde termina a crítica política legítima e onde começa a intimidação de uma minoria? Para discutir os pontos de encontro entre extrema direita, extrema esquerda, antissemitismo contemporâneo e as preocupações das comunidades judaicas, a gente conversa hoje com Fábio Zuker, que é pesquisador com enfoque na área socioambiental, doutor em antropologia pela Universidade de São Paulo, realizou pós-doutorado na Princeton University (EUA) Collège de France na França.

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    52 min
  • #356 Reféns e os relato de Gaza
    Jan 7 2026

    O 7 de outubro aconteceu há mais de dois anos. Todos os reféns vivos voltaram a Israel e, entre os mortos, há um corpo que ainda não foi devolvido pelo grupo terrorista Hamas. Mas nada disso quer dizer que o assunto está encerrado. Cada um dos ex-reféns têm seu próprio tempo para estar pronto para contar o que aconteceu durante o período em cativeiro. Alguns relatos têm saído na imprensa israelense, enquanto outros podem não ser publicados nunca.

    Nesse episódio, a gente vai trazer algumas das histórias desses ex-reféns. Então, fica aqui o aviso de conteúdo sensível, com descrições de tortura, violência psicológica, física e sexual. Quem traz pra gente esses relatos que estão sendo publicados em Israel é Daniela Kresch, jornalista e correspondente do IBI.

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    45 min
  • #355 Israel 2025: Retrospectiva
    Dec 31 2025

    2025 foi um dos anos mais tensos e imprevisíveis da história recente de Israel. Depois de 2024, ainda marcado pelo ataque de 7 de outubro de 2023 e pela guerra que se seguiu, o ano seguinte viu, finalmente, um cessar-fogo negociado entre Israel e o Hamas que incluiu rodadas de trocas de prisioneiros palestinos e a devolução dos reféns em posse do grupo terrorista, em um processo que se deu sob mediação internacional, em particular pelos EUA. Esse acordo, por enquanto, evitou a continuação imediata de uma ofensiva em grande escala e permitiu a entrada de ajuda humanitária em Gaza.Olhar para Israel em 2025 não é só observar um país em crise, é tentar entender como política, trauma, guerra, religião e identidades em confronto moldam não apenas o presente, mas aquilo que Israel pode se tornar. É um ano que mistura tentativas de normalização com rupturas profundas, e que devolve ao mundo perguntas sobre democracia, segurança e futuro. Para falar um pouco sobre como foi 2025 em Israel e o que esperar para 2026, hoje a gente recebe o historiador, assessor do IBI e apresentador do podcast “Do Lado esquerdo do Muro” João Miragaya.

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    53 min
  • #354 Direita em crise, antissemitismo em alta
    Dec 24 2025

    Há muito tempo, a direita americana vive uma disputa interna feroz, mas nos últimos meses essa briga ficou escancarada. A entrevista de Tucker Carlson com Nick Fuentes, um nacionalista branco, antissemita e referência da alt-right, acendeu um alerta não só nos Estados Unidos, mas em vários países que costumam reverberar as tendências políticas americanas. De um lado, temos a direita institucional, que tenta manter distância do extremismo. Do outro, um ecossistema radicalizado que usa teorias conspiratórias, revisionismo histórico e antissemitismo como pilares de identidade. E essa disputa não fica só lá: ecos desse processo já aparecem aqui no Brasil, em influenciadores, grupos ultranacionalistas, conspiracionistas e até segmentos que tentam reempacotar discursos extremistas em linguagem de “patriotismo” ou de “anti-globalismo”A ascensão de Fuentes e sua influência entre parte da direita americana não é só sobre política nos EUA, é um alerta sobre como narrativas radicais podem se disseminar. No Brasil, especialmente nas últimas décadas, elegemos olhares cada vez mais polarizados, visões ultraconservadoras misturadas com nacionalismo, nostalgia autoritária, xenofobia, e até negação histórica. A pergunta é: será que há uma ponte intencional ou orgânica — entre essa “nova direita radical” dos EUA e centros extremistas ou influências similares no Brasil? Para conversar com a gente sobre o tema, nós convidamos o Renato Levin-Borges, mais conhecido como Judz, que é professor de Filosofia licenciado e bacharel pela PUC-RS, mestre em Educação pela UFRGS e doutor pela mesma instituição.

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    44 min
  • #353 Chanucá e resistência
    Dec 17 2025

    Chanucá é mais do que a festa judaica das luzes, é também uma celebração profundamente ligada à resistência, à afirmação cultural e ao direito de existir mesmo quando o mundo tenta apagar quem você é. Num mundo em que pessoas negras, LGBTQIA+, indígenas e tantos outros grupos minorizados lutam por visibilidade, dignidade e sobrevivência, Chanukah vai além do símbolo religioso, abrindo espaço para iluminarmos debates que, muitas vezes, ficam na sombra. E para falar do tema, convidamos Max Guerchfeld, que cresceu no movimento juvenil Noam, onde foi madrich/educador, em 2020, e também atuou como rosh chinuch/diretor educativo e mazkir/secretário geral. Ele morou em Israel em 2023, pelo programa Shnat Hachshará, estudando e fazendo trabalho voluntário. Atualmente cursa Psicologia na PUC-SP e é Moré de Bar Mitzva, na Comunidade Shalom.

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    30 min
  • #352 Ninguém quer, segunda temporada na Netflix
    Dec 10 2025

    Se você acompanha o nosso podcast, sabe que de vez em quando gostamos de falar de filmes e séries que tratam da experiência judaica. E, depois de um ano de espera, finalmente chegou à Netflix a segunda temporada de “Nobody wants this”, ou, em português, “Ninguém quer”.Se você não lembra, ou ainda não viu, a primeira temporada da série apresenta a história do rabino Noah Roklov, que vive um dilema quando se apaixona por Joanne, uma podcaster não judia. A partir desse relacionamento, considerado pouco convencional dentro da comunidade retratada na produção, a série aborda temas como casamento inter-religioso, conversão e crise de identidade.


    Nós três assistimos à série e vamos conversar sobre o que achamos, o que mudou, o que a segunda temporada aprofunda, e se achamos que vale a pena seguir acompanhando a segunda temporada.

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    49 min