Épisodes

  • Gianni Gomes - O insaciável vício dos sentimentos
    Feb 22 2026

    Há um momento em que o sentir deixa de ser encontro e passa a ser hábito. A gente acredita estar apaixonada pela vida, mas muitas vezes é pelas próprias sensações — pela intensidade, pelo arrepio, pela vertigem de existir. O vício não está no amor, e sim na repetição do que nos faz sentir vivas, mesmo quando isso nos devolve sempre ao mesmo lugar. Reconhecer isso não esvazia a experiência; apenas desloca o olhar. Talvez viver seja aprender a distinguir entre o que amamos e o que sentimos ao amar.


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  • Fernando Pessoa - Quando vier a primavera
    Feb 20 2026

    Em “Quando vier a Primavera”, Fernando Pessoa, pela voz de Alberto Caeiro, dissolve a angústia na simplicidade do mundo. O poema recusa explicações e encontra consolo naquilo que apenas acontece: as estações passam, as flores nascem, a vida segue sem precisar de sentido oculto. Há uma aceitação tranquila do tempo e da perda, como se sentir fosse apenas estar presente diante do que existe. A primavera, aqui, não promete redenção — apenas continuidade.

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  • Cruz e Sousa - Acrobata da dor
    Feb 18 2026

    Em “Acrobata da dor”, Cruz e Sousa transforma o sofrimento em espetáculo trágico. O eu lírico se move entre a elevação estética e o peso da existência, como quem equilibra a própria dor diante do olhar do mundo. A poesia nasce desse tensionamento entre beleza e padecimento, onde o artista expõe a ferida sem deixá-la perder a forma. O acrobata não supera a dor — ele a atravessa, fazendo dela movimento e linguagem.

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    2 min
  • Drummond - E agora, José?
    Feb 16 2026

    O poema acompanha o instante em que todas as saídas parecem esgotadas e resta apenas o confronto com o vazio deixado pelo fim da festa, das certezas e das máscaras. José não é só um homem, mas a figura de quem precisa seguir mesmo sem respostas. A força do poema está justamente nessa suspensão: quando tudo acaba, ainda é preciso existir — e a pergunta continua ecoando.


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  • Augusto dos Anjos - Versos Íntimos
    Feb 14 2026

    Em “Versos íntimos”, Augusto dos Anjos transforma o desencanto em matéria poética. O poema confronta a fragilidade das relações humanas sem suavizar o desconforto, expondo a solidão, o interesse e a dureza que atravessam os vínculos. Entre pessimismo e lucidez, a voz poética desmonta ilusões afetivas e obriga o leitor a encarar aquilo que costuma ser evitado. O íntimo, aqui, não é abrigo — é revelação crua do humano.

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  • Drummond - Consolo na Praia
    Feb 12 2026

    Em “Consolo na praia”, Drummond desloca a ideia de consolo para longe da promessa fácil. O poema encara o fracasso, a solidão e o desencanto sem oferecer redenção imediata, mas encontra, no próprio movimento da vida, uma forma de continuidade. Entre o mar e o cansaço humano, surge a percepção de que recomeçar não depende de heroísmo — apenas de seguir, mesmo quando tudo parece suspenso. O consolo, aqui, é discreto: está na persistência de existir.

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  • INTROITO - do livro "Sobre lampejos TRANSgressivos"
    Feb 10 2026

    “Introito” é um poema de passagem. Entre interrupção e fluxo, a voz poética atravessa a suspensão do sentir para reconhecer que fim e começo podem ocupar o mesmo instante. A imagem da água que turva também limpa, criando uma pausa onde a identidade se desfaz do excesso e retorna ao essencial. No anonimato do sentimento, o poema encontra um ponto de repouso: quando nada mais precisa ser dito para que algo recomece.

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  • Qual poema - retirado do livro "A Boneka escreve - MUITA - poesia"
    Feb 6 2026

    “Qual poema” nasce do encontro entre falta e invenção. O texto atravessa o vazio não como ausência, mas como matéria de criação — um espaço onde identidade e linguagem se refazem. Entre silêncio e ruptura, o poema reconhece o que não foi, desfaz expectativas e encontra, no escuro, uma forma própria de existir. O melhor poema, aqui, não se impõe: ele resiste, duro, no que permanece não dito.


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