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De : RFI Brasil
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Reportagens de nossos correspondentes em várias partes do mundo sobre fatos políticos, sociais, econômicos, científicos ou culturais, ligados à realidade local ou às relações dos países com o Brasil.

France Médias Monde
Politique et gouvernement
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    Épisodes
    • Alta nos pedidos de repatriação revela vulnerabilidade e discriminação vividas por brasileiros em Portugal
      Jan 25 2026
      O fluxo migratório de brasileiros em Portugal está passando por mudanças significativas. Dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM) indicam que em 2025 foram 231 pedidos de retorno ao país entre janeiro e outubro, bem acima dos 149 pedidos de todo o ano anterior. Este aumento, segundo a OIM, reforça o papel do maior consulado brasileiro da Europa em meio a relatos de vulnerabilidade, violência e discriminação em Portugal. Lizzie Nassar, correspondente da RFI em Lisboa Os dados dos dois últimos meses do ano ainda estão sendo consolidados. Mas o aumento já identificado revela uma combinação de fatores econômicos, sociais e emocionais que têm levado parte da comunidade brasileira a reavaliar a permanência no exterior. No centro desse cenário está Portugal, que abriga hoje cerca de 800 mil brasileiros, a maior comunidade brasileira fora do país. Somente em Lisboa vivem aproximadamente 400 mil brasileiros, número que transformou o Consulado-Geral do Brasil na capital portuguesa na maior unidade consular da Europa em volume de atendimentos. Segundo o cônsul-geral Alessandro Candeas, o consulado de Lisboa “abriga hoje a maior comunidade brasileira fora do continente americano. São mais de meio milhão de pessoas vivendo, trabalhando e construindo novas histórias em Portugal”, afirma. Ao longo de 2025, o consulado analisou 85.677 requerimentos de serviços por meio do sistema e-consular. Desse total, 15.826 foram pedidos de passaporte e autorizações de retorno ao Brasil — um dado que dialoga diretamente com o aumento apontado pela OIM. Outros 13.642 atendimentos envolveram atos notariais, como registros de nascimento, procurações e reconhecimentos de assinatura. O setor de Assistência a Brasileiros realizou 2.745 atendimentos, incluindo orientação jurídica e psicológica, além de milhares de respostas a e-mails e consultas presenciais. A “caixa de ressonância” da comunidade brasileira De acordo com Alessandro Candeas, o consulado funciona como uma espécie de termômetro social da comunidade brasileira em Portugal: “Identificamos, muito claramente, que cresceu o número de brasileiros que buscam o consulado e dizem que querem voltar ao Brasil”. Ele destaca que o papel do brasileiro em Portugal é frequentemente retratado de forma negativa no debate público, o que não condiz com a realidade econômica e social. “O papel do imigrante brasileiro em Portugal é muito estereotipado e muito injusto. O brasileiro é um imigrante produtivo”, ressalta. Segundo o cônsul-geral, os brasileiros exercem funções essenciais no mercado de trabalho português, pagam impostos e contribuem de forma significativa para a previdência social do país. “A mão de obra necessária para o mercado português não compete com nenhum emprego ocupado por cidadão português. Muitos brasileiros ocupam posições que estão vazias porque a mão de obra portuguesa está em outros países”, explica Candeas. Vulnerabilidade, violência e saúde mental Outro dado que chama a atenção nos registros consulares é o crescimento dos atendimentos psicológicos, especialmente relacionados a vulnerabilidade social e violência. Casos de sofrimento emocional, conflitos familiares e violência de gênero têm sido cada vez mais relatados por brasileiros que procuram ajuda institucional. Para Candeas, esse aumento reflete não apenas dificuldades individuais, mas também o impacto do isolamento, da pressão econômica e das experiências de discriminação vividas por parte da comunidade. Leia tambémAumento da demanda por apoio psicológico entre migrantes gera novas frentes em saúde mental Racismo, xenofobia e bullying contra brasileiros Os temas da xenofobia e do racismo entraram oficialmente na agenda diplomática entre Brasil e Portugal. Segundo o cônsul-geral, trata-se de uma estratégia ampla, que envolve diferentes frentes do poder público e da sociedade civil. “É preciso trabalhar em políticas públicas comparadas, legislação, judiciário e sociedade civil. Não adianta você ter uma legislação robusta se o judiciário não faz sua parte”, afirma. Entre as iniciativas previstas está o programa “Amigos do Brasil”, voltado para escolas portuguesas, com foco em crianças e adolescentes — especialmente filhos de brasileiros que enfrentam episódios de bullying. Leia tambémFamília de menino brasileiro mutilado em escola de Portugal inicia acompanhamento psicológico “Há criancinhas que chegam chorando em casa. ‘Você não fala português’. Como assim? Eu falo português”, relata o embaixador. O programa prevê concursos de redação, vídeos e músicas, além de parcerias público-privadas que podem resultar em intercâmbios e viagens ao Brasil. “A ideia é transformar o problema em algo positivo”, resume Candeas. Entre o aumento do retorno ao Brasil, a sobrecarga dos serviços consulares e a criação de políticas de enfrentamento ...
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      5 min
    • “Oscar da voz”: na temporada de ouro, brasileiros brilham em Hollywood
      Jan 24 2026

      Em uma temporada em que o Brasil volta a ocupar espaço de destaque nas grandes premiações, de festivais europeus a Hollywood, os artistas da voz também entram em cena. No último fim de semana, mais de duas dezenas de brasileiros participaram da premiação do 12º SOVAS (Society of Voice Arts & Sciences) Voice Awards, conhecido como o “Oscar da voz”. O paranaense Sebastian Zancanaro consolidou esse protagonismo ao estabelecer o recorde da noite e aparecer, com sua equipe, em 11 indicações e vencer em duas categorias.

      Cleide Klock, correspondente da RFI em Los Angeles

      A cerimônia premia profissionais de dublagem, locução, audiolivros, animação, publicidade e audiodescrição e aconteceu no mesmo palco em que, no domingo anterior, Wagner Moura e Kleber Mendonça Filho receberam o Globo de Ouro, em Beverly Hills.

      “Receber o SOVAS é uma honra imensa. Esse prêmio tem um peso real em Hollywood porque celebra a excelência da voz e de quem vive contando histórias. Estar aqui cercado pelos melhores dos melhores da nossa indústria me inspira, contagia e eleva o nosso trabalho, eleva o meu trabalho. Representar o Brasil e a nossa comunidade nesse espaço é motivo de muito orgulho”, conta Sebastian.

      No SOVAS deste ano, cinco projetos produzidos pelo brasileiro — três longas-metragens e duas séries — chegaram à lista final. As indicações vieram pelo trabalho como produtor e diretor de elenco, e as estatuetas vieram por “Escape From ISIS” e “Crônicas de Exorcismo: O Início”. Este é o segundo ano consecutivo em que Sebastian é indicado ao SOVAS. Em 2025, ele já havia levado duas estatuetas pelo trabalho no filme “Deep Sea”.

      De Ponta Grossa a Hollywood

      A trajetória do brasileiro começou cedo e longe dos estúdios californianos. “Nasci em Ponta Grossa, no Paraná, e fiz teatro lá. Com 14 anos, peguei carteira profissional como ator. Então fiz muito teatro, escrevi também peças, poesias e tinha alguns membros da minha família que também faziam parte do teatro em Curitiba. Sempre tive essa paixão, essa curiosidade pelas artes. Sempre quis morar nos Estados Unidos, porque eu tinha uma paixão, uma afinidade muito grande pela língua inglesa, e com 18 anos eu vim para cá, na década de 1990”, relembra.

      Nos Estados Unidos, Zancanaro se formou pela Academia Americana de Artes Dramáticas, em Nova York, mas fincou residência em Los Angeles, onde há duas décadas se dedica a tudo o que envolve voz e atuação. Já trabalhou em grandes produções internacionais de animação, como A Era do Gelo, e em produções gravadas integralmente em seus estúdios, como Diário de um Banana. Hoje, a maioria de seus projetos é na língua inglesa, mas ele também já fez conteúdos em português para televisão e streaming.

      “Acho que um dos projetos de que eu mais gostei foi a série de época O Nome da Rosa, que foi para o Brasil, inclusive; a dublagem, a gente fez bem antes da pandemia. Foi um projeto supercorrido, mas tinha um roteiro maravilhoso, com uma qualidade muito boa e um time maravilhoso, com Jonas Torres, Erik Marmo, Eduardo Carvalho e Carlos Machado.”

      À frente de um estúdio que realiza dublagens e gravações de voz para cinema e TV, Zancanaro divide o tempo entre produção, direção de elenco e escrita. O próximo passo, admite, é assumir mais projetos como diretor e roteirista, talvez fazendo ainda mais essa ponte Hollywood–Brasil.

      “Fico feliz em fazer parte dessa comunidade aqui em Hollywood, que está sendo reconhecida no Globo de Ouro, no Oscar, no SOVAS. Muitos atores brasileiros — Mabel César, por exemplo, que ganhou no SOVAS o prêmio de diretora de dublagem em inglês pelo filme Homem com H (Netflix) — e eu ganhando a premiação também como diretor de elenco. Fico muito, muito inspirado para continuar fazendo trabalhos de qualidade, não só em Hollywood, mas no Brasil também, quem sabe um dia.”

      Na avaliação de Zancanaro, Califórnia e Brasil “estão com tudo”, e os artistas brasileiros estão ajudando a criar essa ponte de acesso à cultura e à arte, para fazer projetos de excelência para audiências globais.

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    • Advogada brasileira dedica carreira a ajudar vítimas de violência doméstica em Portugal
      Jan 3 2026
      A história de muitas mulheres brasileiras que deixam o país em busca de segurança, estabilidade e uma vida melhor no exterior nem sempre encontra o final feliz que elas imaginavam. Para algumas, a violência atravessa oceanos. É nesse cenário complexo e muitas vezes invisível que atua a advogada Luana Ferreira, líder do Comitê de Direito das Mulheres do Grupo Mulheres do Brasil, em Lisboa. Lizzier Nassar, correspondente da RFI em Lisboa A violência viaja silenciosa, escondida dentro de malas, memórias, fragilidades e dependências. Em outras vezes, ela surge justamente no estrangeiro, onde a solidão da imigração, a falta de rede de apoio e o desconhecimento do sistema local criam o ambiente perfeito para que o ciclo se repita — ou se intensifique. A advogada brasileira Luana Ferreira, líder do Comitê de Direito das Mulheres do Grupo Mulheres do Brasil em Lisboa, conhece bem essas armadilhas. Ela se tornou, na prática, aquilo que tantas mulheres procuram desesperadamente quando decidem romper o silêncio: uma ponte. Uma mão estendida. Um lugar seguro onde é possível contar o que não se consegue nem admitir para si mesma. “Desde muito pequena eu vi e ouvia histórias de violência. Situações bem complicadas. Isso me tocou desde muito nova”, ela conta. O que poderia ter sido apenas uma lembrança dolorosa transformou-se em vocação. Hoje, ela trabalha diariamente para acolher mulheres que vivem aquilo que tantas outras, por gerações, foram ensinadas a suportar. O Comitê de Direito das Mulheres, que ela lidera, é dedicado à promoção e defesa dos direitos das mulheres, com especial atenção ao combate à violência doméstica — e com um objetivo central que vai além da assistência: sensibilizar a sociedade. “É importante trazer para as pautas sociais e para a sociedade que a violência doméstica é um problema de todos”, afirma. Os números comprovam que o problema é mais amplo do que a maioria imagina. Segundo dados do Ministério das Relações Exteriores, 1.631 casos de violência doméstica e de gênero contra brasileiras foram registrados em embaixadas e consulados em 2024 — um aumento de 4,8% em relação ao ano anterior. Os Estados Unidos lideram as notificações (397 casos), seguidos da Bolívia (258), Itália (153), Portugal (144) e Reino Unido (102). Cada número desses representa uma história que atravessou fronteiras carregando medo, insegurança e, muitas vezes, silêncio. Em Portugal, onde a advogada atua, a violência doméstica continua sendo o crime mais reportado. Só entre janeiro e agosto deste ano, a APAV — Associação Portuguesa de Apoio à Vítima — apoiou 14.008 mulheres. As situações de vitimação ocorreram em 89,9% dos municípios do país, com maior incidência nos distritos de Lisboa, Faro, Braga e Porto. Até setembro, 18 pessoas foram assassinadas em contexto de violência doméstica — 16 eram mulheres. E, segundo a PSP e a GNR, foram registradas 25.327 ocorrências nos primeiros nove meses do ano de 2025, o maior número dos últimos sete anos. Relutância em se reconhecer como vítima Esses dados ajudam a contextualizar uma realidade que, aos olhos da advogada, aparece diariamente em forma de relatos fragmentados, mensagens rápidas, áudios enviados com cuidado para que ninguém ouça, e pedidos de ajuda que começam hesitantes: “Não sei se isso é normal.” Muitas vezes, ela é a primeira pessoa a quem a mulher se direciona quando finalmente decide falar. “A mulher vive com medo: no lar, na sociedade, no dia a dia… Ela não sabe o que pode vir a acontecer se cruzar com o agressor ou se ele tiver acesso à vida que ela está construindo agora”, explica. Para ela, a violência doméstica não termina quando a relação termina. “É um crime que, muitas vezes, rouba a paz para sempre.” Entre os casos que chegam ao comitê, há agressões físicas e psicológicas, mas também formas de violência que muitas mulheres só descobrem quando já estão presas a elas. Uma das mais comuns entre brasileiras em Portugal é a violência administrativa. “O agressor retém, esconde ou inutiliza documentos da vítima. Já tivemos casos de passaportes rasgados, queimados, inutilizados — da mulher e das crianças”, relata. Impedida de viajar, de trabalhar ou de se movimentar, a vítima perde autonomia e fica ainda mais vulnerável. Escuta entre imigrantes Nesse contexto, a presença do comitê funciona como um abraço possível. A equipe escuta, orienta, encaminha e apoia. A rede inclui psicólogas, advogadas, associações especializadas e serviços públicos. E tudo começa com algo simples, mas fundamental: acreditar na vítima. “Quando são brasileiras — e elas são a maioria que nos procura — torna-se mais confortável encontrar outra imigrante do outro lado. É alguém que entende o medo, o idioma, a saudade, a culpa e a solidão.” Mas, apesar do apoio, o caminho institucional no país ainda ...
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