Épisodes

  • Sem Fronteiras
    Oct 22 2023
    Último episódio - À dita gente inútil foram dadas terras onde podiam trabalhar. Conforme ordem real, os baldios do Reino da Galiza, particularmente no estado do conde de Monterrei. A decisão de Felipe III foi generosa, mas bem calculada, para servir os interesses de Espanha, num território instável e potencialmente problemático, como fora durante séculos. Os domínios do conde de Monterre concentravam-se, sobretudo, no sul da actual província de Ourense, junto à fronteira com Portugal. Essa linha divisória esbatera-se vinte e seis anos antes e continuaria sem efeito durante os trinta e quatro anos seguintes, até ao avanço das tropas portuguesas para as fronteiras, durante a primeira fase da Guerra da Restauração de Portugal.
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    13 min
  • Êxodo Gaélico
    Oct 21 2023
    Penúltimo episódio - A perpétua ajuda financeira à Galiza continuou a ser a opção do rei, mas a meio do ano de 1605 o conde de Caracena nada mais podia fazer com o que recebia. Foi em Janeiro de 1606 que conseguiu convencer o rei a tomar medidas definitivas para resolver o problema. Era imperativo que os irlandeses “parassem de chegar”, dada a pressão causada pela presença da gente inútil e a influência que a presença do lorde O’Sullivan Beare e de duas companhias de soldados irlandeses teve na migração irlandesa. As medidas adoptadas pelo rei Felipe III foram a ajuda financeira extraordinária e uma ordem relativa aos destinos da gente inútil.
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    10 min
  • Irlanda Gaélica
    Oct 20 2023
    Entre 1602 e 1608, e depois, em meados do século XVII, as costas da Corunha foram porto seguro para um tremendo influxo de regimentos irlandeses, que incluíram soldados gaélicos escoceses. Para migrantes refugiados da perseguição religiosa e do genocídio pela fome, para alguns membros de clãs gaélicos de Ulster, e até para algumas famílias “Old English” do Pale, católicas e com afinidades inconvenientes, a quem também foram confiscados os terrenos, as casas e outros bens. Com os militares, vieram as famílias e outros civis, como pajens e criados. A presença deles na Galiza encorajou centenas de irlandeses pobres e desapossados – sobretudo, idosos, mulheres e crianças – a embarcarem como podiam. Num ápice, gerou-se uma crise migratória. Em poucos anos, terão passado pelo noroeste peninsular cerca de dez mil gaélicos, que correspondiam a uma secção transversal da sociedade irlandesa. 
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    16 min
  • Ressurgência Céltica
    Oct 19 2023
    Na Irlanda, o Cristianismo foi introduzido mesmo antes do século V e ter-se-á tornado a maior religião em meados do século, devido à acção de missionários romano-britónicos. Em particular, depois de São Patrício ter convertido as tribos e fomentado o surgimento de vários novos santos insulares. Esta é a versão mais simplista, mas a cristianização nas Ilhas Britânicas teve alguns avanços e sofreu muitos recuos, porque as práticas pagãs e a tradição oral permaneceram, fora dos núcleos cristãos, que eram como pequenas cidades monásticas governadas ao estilo tribal, por um abade. Assemelhavam-se um pouco aos anteriores núcleos familiares druídicos, como aqueles que se estabeleceram em Ynys Môn e, de acordo com vários indícios, em torno de Ynys Witrin, onde podem ter coexistido com os primeiros cristãos que ali se fixaram.
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    7 min
  • Noroeste Peninsular
    Oct 18 2023
    Em tempos idos, quando eu não suspeitava que viesse a ser possível descobrir tanto acerca dos meus antepassados, fui levada pela mão por quem mais sabia. Deixei-me guiar ao longo do território transfronteiriço do sagrado Larouco, que deve o nome a “laro” e “lar”, do proto-celta para chão ou campo. Sem contar com o lado galego, só no concelho de Montalegre, existem largas dezenas de mamoas, uma raríssima cista, e pelo menos onze necrópoles medievais com sepulturas escavadas na rocha. A concentração de monumentos de natureza funerária em torno da serra demonstra a sua relevância como portal entre os diferentes planos de existência. Uma realidade tão concreta como as conjurações de necromancia que são “cousa antiga” da raia e subsistiram à margem de cultos pagãos e da Fé, ao longo de milénios.
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    14 min
  • Génese dos Apelidos
    Oct 17 2023
    As origens, as moradas, as vivências e os ofícios dos antepassados podem estar explícitos na antroponímia. Não é surpreendente que na minha ancestralidade existam nomes de família que reflectem a geografia e a topografia das terras nativas dos meus familiares das raias dos municípios de Monção, Montalegre e Chaves. Alguns dos nossos apelidos, como grande parte dos nossos genes, são partilhados com a Galiza.
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    5 min
  • Etnicidade Genética
    Oct 16 2023
    Os dados estatísticos publicados pela empresa que oferece os resultados mais fidedignos e precisos para Portugal dão-nos um pequeno vislumbre da população peninsular. De acordo com esses dados, a etnicidade norte-africana está disseminada em quase sessenta porcento dos clientes em Portugal. É uma percentagem muito superior à encontrada nos clientes em Espanha. Ao contrário, pequenas percentagens das pessoas testadas, tanto em Portugal como em Espanha, apresentam genes da Irlanda e da restante Celtic fringe das Ilhas Britânicas. Menos de um décimo, na verdade. Imagino que a incidência desta percentagem seja muito desigual, dependendo das regiões. Pelos resultados que tenho observado, é muito mais comum em galegos e nortenhos. Quanto às minorias étnico-religiosas judaicas, que são evocadas com frequência, como estando muito representadas no ADN dos portugueses, as percentagens de incidência genética também são reduzidas.
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    10 min
  • Genealogia
    Oct 15 2023
    Sempre me interessaram as pessoas, a reconstrução possível dos seus percursos, tendo em conta os locais e os momentos históricos em que viveram. Enquanto houver caminho, continuarei a ir ao encontro dos meus antepassados, como fiz com cerca de centena e meia. Devido à redução do número habitual de ascendentes e aos múltiplos parentescos resultantes de endogamia, eles representam a maioria dos meus avós até à oitava geração e mais alguns que ascendem à décima segunda geração. Resgatei-os de livros paroquiais de dezenas de freguesias, em catorze concelhos de Trás-os-Montes, do Alto Douro, do Baixo e do Alto Minho, e do Douro Litoral. Alguns remontam aos anos de 1600, nos meados do século XVII.
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    6 min