Épisodes

  • ICE: quando a polícia de imigração dos EUA se torna um negócio bilionário de aliados de Trump
    Jan 24 2026
    Segundo os semanários franceses Le Point e L’Express, Minneapolis, cidade do estado de Minnesota nos Estados Unidos marcada pela morte de George Floyd em 2020, enfrenta uma grave crise: de um lado, moradores organizam resistência à ICE, agência de imigração que caça imigrantes sem documentação; de outro, a agência se tornou um negócio bilionário para aliados de Donald Trump. Le Point destaca a mobilização cidadã, enquanto L’Express mostra a politização e a impunidade da ICE. Minneapolis, cidade do estado de Minnesota conhecida mundialmente após a morte de George Floyd em 2020, vive hoje uma crise intensa envolvendo a ICE, agência federal de imigração e alfândega dos Estados Unidos. Moradores se mobilizam para resistir às ações de agentes que perseguem imigrantes sem documentação, enquanto, segundo Le Point e L’Express, a mesma agência se tornou um negócio bilionário para aliados do ex-presidente Donald Trump. Em reportagens detalhadas, Le Point descreve a rotina de moradores como Juan, que se organiza para vigiar e seguir veículos da ICE pelas ruas da cidade. Armados com apitos e redes de comunicação, grupos comunitários alertam vizinhos, levam comida a quem não se sente seguro para sair de casa e registram abusos cometidos pelos agentes. A mobilização acontece pouco depois do assassinato de Renee Good, mãe de família de 37 anos, morta por um agente da ICE em janeiro, e tem como objetivo evitar novos abusos. Segundo Le Point, Juan se tornou “patrulheiro”, dedicando parte de suas semanas a monitorar operações da agência. Ele mantém binóculos e anotações à mão, observa padrões de ação da ICE e registra qualquer tentativa de intimidação, mas reforça que não realiza ações ilegais. A cidade também adotou medidas como aulas online temporárias em alguns bairros, reforço de redes comunitárias e vigilância coletiva, buscando proteger residentes vulneráveis e manter a mobilização organizada. Leia tambémO jogo virou? Influenciador próximo de Trump compara ICE à polícia política da Alemanha nazista Máquina de lucro para aliados de Trump Já a revista L’Express enfatiza a dimensão financeira e política da ICE. A agência se transformou em uma verdadeira máquina de lucro para aliados de Trump, com contratos e consultorias bilionárias gerando ganhos privados a partir de políticas de expulsão em massa. Um exemplo citado é o de Tom Homan, ex-diretor da ICE, que, segundo investigação do FBI, ofereceu contratos federais prometendo lucros a clientes ligados ao governo caso Trump retornasse à presidência. Além disso, L’Express relata que a promulgação da lei One Big Beautiful Bill Act (OBBBA), em julho de 2025, triplicou o orçamento da ICE para US$ 27,7 bilhões por ano, tornando a agência a primeira força federal do país em termos de recursos financeiros. A lei permitiu que a ICE atuasse com métodos muitas vezes questionáveis, com agentes protegidos por imunidade praticamente absoluta, enquanto operações de deportação atingem tanto imigrantes quanto cidadãos norte-americanos, como no caso de Renee Good. Leia tambémTrump ameaça usar Forças Armadas contra 'ataques' à polícia de imigração em Minneapolis A polarização em Minneapolis reflete o contraste entre resistência comunitária e poder da agência. Le Point mostra que moradores, apesar do frio intenso e do clima tenso, mantêm disciplina e método. O monitoramento da ICE é feito com cuidado: sinalizações por apitos, acompanhamento visual, registro de veículos e denúncias às autoridades quando há abuso. A cidade tenta impedir que a violência se espalhe e proteger a população mais vulnerável. Por outro lado, L’Express evidencia que o aparato da ICE funciona quase como um sistema paralelo, politizado e lucrativo, apoiado por aliados do governo e empresas privadas de segurança. Firmas como Constellis Holdings, resultado da fusão de antigas empresas militares privadas, recebem milhões de dólares e se beneficiam diretamente da estrutura de deportações em massa, sem que exista responsabilidade clara sobre abusos cometidos.
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  • As cinco condições para revolução no Irã estão postas, afirma especialista a revista francesa
    Jan 17 2026

    O movimento de contestação ao regime iraniano e a violenta repressão aos protestos, nas últimas três semanas, ocupam as capas das principais revistas semanais francesas. As reportagens analisam as chances de queda do aiatolá Ali Khamenei, que comanda o país com mãos de ferro desde a Revolução Iraniana, em 1979.

    Em entrevista à revista Le Point, um dos especialistas mais respeitados do mundo em mudanças sociais, o americano Jack A. Goldstone, da George Mason University, afirmou que “as cinco condições para o sucesso de uma revolução estão postas” no Irã. Situação econômica preocupante, protestos generalizados pelo país, apoio crescente da elite, descrença na capacidade do governo de superar as dificuldades e ambiente internacional favorável fazem com que, pela primeira vez desde que assumiram o poder, os mulás iranianos possam ser derrubados, indicou o pesquisador.

    Não foi o que ocorreu no Irã em 2009, 2018 ou 2022, quando o regime conseguiu sufocar grandes protestos nas ruas. Nas três ocasiões precedentes, os manifestantes visavam reivindicações sociais precisas, mas não o fim do governo islamita, como agora.

    A possibilidade de retorno do exílio do príncipe herdeiro Reza Pahlavi, filho do último xá deposto pela Revolução Iraniana, é outro foco das reportagens. Um opositor de longa data do regime relata à L’Express que é a primeira vez que vê retratos de Pahlavi e gritos pedindo o seu retorno nas manifestações. “Ele parece ser a nossa única chance de voltarmos a um sistema político centrado na modernidade, que priorize os interesses nacionais dos iranianos, e não os ideológicos da República Islâmica”, disse a testemunha.

    L’Express salienta que, conforme o último levantamento do Grupo de Análise e Medição das Atitudes no Irã, baseado na Holanda, Reza Pahlavi seria a personalidade política preferida dos iranianos, com 31% dos votos em 2024, e 21% dos entrevistados defendiam a volta da monarquia no país. A confiabilidade da pesquisa em um país onde elas são proibidas, entretanto, é questionável.

    Reza Pahlavi e a extrema direita

    Em Teerã, muitos defendem um Irã “sem mulás, nem xás”. "O problema é que a oposição nunca conseguiu se estruturar no país, em meio à forte repressão", frisou o pesquisador iraniano Amir Kianpour, à revista Nouvel Obs.

    “O filho xá sonha em retomar o poder, ao mesmo tempo em que cultiva laços com a extrema direita do mundo inteiro”, afirma a publicação. Nas redes sociais, ele exalta Donald Trump e, sempre que pode, participa de eventos da ultradireita, como a Conferência de Ação Política Conservadora, grande encontro do qual já discursaram o britânico Nigel Farage, o argentino Javier Milei, a italiana Giorgia Meloni ou o empresário Elon Musk, além do próprio presidente americano. Em 2023, ele chegou a se encontrar com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, com quem posou para fotos.

    “Muitos iranianos que nasceram depois revolução sequer sabem que Pahlavi não apoia a democracia, como diz. Ele é um oportunista”, criticou a refugiada política iraniana Mahtab Ghorbani, que vive na França, em entrevista à Nouvel Obs.

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  • 'Quem será o próximo?': imprensa antecipa alvos do 'cowboy' Trump, inclusive na América Latina
    Jan 10 2026
    As revistas semanais francesas analisam a nova ordem mundial instaurada por Donald Trump. Captura de Maduro, ameaças a Cuba, Colômbia e Irã, interesse na Groenlândia: em 2026, o magnata redefine a ordem pela imposição. Para Le Nouvel Obs, o presidente americano "aplica a lei do mais forte"; Le Point vê pragmatismo imperialista visando recursos estratégicos, e L’Express alerta para a ascensão de "um novo predador hemisférico" que impõe os interesses norte-americanos ao resto do planeta. Ao capturar o ditador Nicolás Maduro e assumir o controle da Venezuela, o presidente norte-americano, Donald Trump desrespeitou o direito dos Estados Unidos e internacional. Para a revista francesa Le Nouvel Obs, o gesto revive a tradição imperialista norte-americana e abre caminho para futuras ações em outras regiões estratégicas, como o Ártico, por meio da Groenlândia. O periódico lembra que a operação Resolução Absoluta (Absolute Resolve, no original em inglês) confirma que Trump, que se dizia pacificador, privilegia a diplomacia militar direta. O presidente segue a chamada “doutrina Trump”, concebida por seu vice J.D. Vance: primeiro, definir claramente o interesse nacional; segundo, esgotar a diplomacia; terceiro, recorrer à força esmagadora quando necessário, retirando-se rapidamente antes que o conflito se prolongue. A ação em Caracas, segundo o Le Nouvel Obs, seria "apenas a primeira de um plano mais amplo, que consolida o Ocidente sob a influência norte-americana, ignorando adversários como Rússia e China, e lembrando antigas operações secretas da CIA na América Latina". Leia tambémApetite de Trump pela Groenlândia pressiona Otan; EUA querem 'comprar' ilha, mas não descartam força militar A revista observa que a aparente obsessão de Trump pelo tráfico venezuelano contrasta com a clemência concedida ao ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández, condenado a 45 anos de prisão por envio de mais de 400 toneladas de cocaína aos Estados Unidos. Para especialistas citados pela semanal, o presidente se guia unicamente pelo interesse estratégico norte-americano, visando a apropriação de recursos naturais — do petróleo venezuelano aos minerais da Groenlândia —, sob uma lógica de capitalismo agressivo e "predatório". Quem será o próximo? Para a revista Le Point, o sentimento que domina o início de 2026 é o da hybris, termo grego que significa o poder desmesurado, sem limites. Com Nicolás Maduro capturado, Donald Trump atira para todos os lados e o veículo questiona na capa: "Quem será o próximo?". A questão central levantada por Le Point é se Trump abriu uma brecha que outros atores tenderão a explorar. A revista caracteriza a postura de Trump como imperialista – e, em certos aspectos, colonial. Se houver um próximo alvo, ele provavelmente estará na América Latina, diz Le Point. O próprio presidente não esconde: “ninguém voltará a questionar a dominação norte-americana no hemisfério ocidental”. Quanto à Groenlândia, tema que preocupa governos europeus, Le Point arrisca uma hipótese: Trump fará tudo para adquirir o território – que, na visão norte-americana, também integra o “hemisfério ocidental” –, mas aposta que poderá “comprá-lo”, e não tomá-lo pela força. Resta o Irã. Para o líder republicano, seria mais vantajoso esperar um eventual colapso interno do regime do que arriscar a captura do aiatolá Ali Khamenei, mergulhando a região em um caos comparável ao do Iraque pós-2003. Leia também'Se o Brasil tivesse pressionado Maduro, cenário poderia ser outro', diz especialista No balanço de Le Point, esse início de ano reduz ainda mais as chances de Trump receber um dia o Prêmio Nobel da Paz. Em menos de 12 meses, ele autorizou mais ataques – com mísseis, bombas e drones – do que Joe Biden ao longo de todo o seu mandato. Nova ordem mundial para quem? Já a L’Express traz uma ilustração impactante: Trump como cowboy armado, com faixa estilo "Rambo", sob o título “A Nova Ordem Mundial”. Para a publicação, o sequestro de Maduro marca o advento da “lei do mais forte” e abre espaço para todas as possibilidades geopolíticas. A ação em Caracas, segundo a revista francesa, sinaliza que Trump não é mais apenas o candidato populista da campanha de 2016: ele se tornou um imperador pragmático e decidido, capaz de aplicar sua visão mesmo desorientando parte da base que esperava uma postura isolacionista. A revista destaca ainda que a Estratégia de Segurança Nacional divulgada em dezembro deixa claro o projeto do presidente: tornar os Estados Unidos a “nação mais poderosa e próspera da história” e reconquistar seu quintal histórico, a América Latina. A publicação cita a historiadora francovenezuelana Elizabeth Burgos, que observa a necessidade de Washington criar dissuasão na região para manter influência global. Medidas simbólicas, como ...
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  • Hotéis de luxo, metrô e 'sexpionagem': saiba como Paris se tornou palco da espionagem global
    Jan 3 2026

    Com seus hotéis de luxo, a rede de metrô e uma localização estratégica, Paris se tornou um epicentro da espionagem, revela a revista francesa L’Express. A reportagem narra casos curiosos e aborda a “sexpionagem”, onde a sedução vira arma em operações secretas.

    Segundo a L'Express, Paris consolidou-se como o grande palco das operações secretas globais. Hotéis de luxo como o Península e o Royal Monceau tornaram-se verdadeiros quartéis-generais para encontros discretos de agentes de potências rivais.

    Recentemente, representantes da CIA, do Mossad e de países árabes se reuniram em Paris para negociar sobre a guerra em Gaza, aproveitando a neutralidade diplomática e a infraestrutura sofisticada que a cidade oferece.

    A reportagem revela episódios curiosos que reforçam o caráter singular da espionagem parisiense. O fundador do Telegram, Pavel Durov, por exemplo, foi recebido como um chefe de Estado no hotel Crillon, símbolo da importância estratégica desses palácios. Até cruzeiros pelo Sena e jantares refinados entram no jogo, usados para criar confiança e garantir negociações longe dos holofotes.

    Bastidores glamorosos e 'sexpionagem'

    Entre as práticas mais intrigantes está a 'sexpionagem', técnica que marcou a profissão até os anos 1970 e ainda resiste em versões modernas. A sedução deliberada para extrair informações confidenciais era comum em áreas como os Invalides, segundo a L’Express. Hoje, o método é associado à tecnologia: antes das reuniões, equipes realizam uma varredura do local para eliminar microfones e instalar seus próprios dispositivos.

    Com uma estimativa de até 15 mil agentes estrangeiros circulando pela cidade, Paris é descrita como um “tabuleiro de xadrez” para serviços secretos. Desde os anos 1960, pelo menos 16 assassinatos ligados à espionagem ocorreram na capital, reforçando sua reputação sombria. Entre glamour e intriga, a capital francesa segue sendo o coração pulsante da diplomacia oculta e das operações clandestinas.

    Espionagem em família

    A revista Le Point revela a história de Isabelle Pâques, filha do ex-espião francês Georges Pâques, que durante 20 anos trabalhou para a União Soviética enquanto ocupava cargos estratégicos no Ministério da Defesa e na Otan.

    Isabelle e seu filho Dimitri emigraram recentemente para São Petersburgo e receberam a cidadania russa por decreto assinado por Vladimir Putin, em uma cerimônia conduzida pelo chefe do Serviço de Inteligência Exterior da Rússia (SVR), Sergueï Narychkine. O gesto, carregado de simbolismo, reforça os laços históricos entre a família e Moscou.

    Segundo a reportagem, Isabelle, que já foi candidata pelo partido de extrema direita Reunião Nacional, de Marine Le Pen, e manteve posições nacionalistas e antivacinação nas redes sociais, tornou-se uma defensora aberta da Rússia desde o início da guerra na Ucrânia.

    Ao deixar a França, ela levou na mala os arquivos pessoais do pai, com planos de criar um museu da espionagem onde Georges Pâques será homenageado.

    A matéria mostra como as memórias da Guerra Fria e as lealdades ideológicas continuam a influenciar escolhas familiares e políticas, misturando passado e presente em meio às tensões geopolíticas atuais.

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  • Ocidente está 30 anos atrás da China, adverte pesquisador a revista francesa
    Dec 20 2025

    No fim do ano em que Donald Trump buscou aniquilar o multilateralismo, o gigante asiático se apresenta como moderador da estabilidade. Duas das principais revistas semanais francesas, a Le Point e a Le Nouvel Obs, publicam esta semana edições especiais sobre a China, com dezenas de páginas de reportagens e análises.

    Ficou para trás o tempo em que Pequim “abastecia o mundo de roupas descartáveis, brinquedos de plástico ruim e aspiradores que estragam em dois meses”. Depois de “tanto copiar” o melhor da engenharia americana e europeia, o país “hoje é potência nos setores-chave do século 21”, constata o editorial da Nouvel Obs.

    A Le Point traz uma longa entrevista com o escritor sino-canadense Dan Wang, especialista em novas tecnologias e na China contemporânea. À semanal, ele adverte: “O Ocidente se encontra na posição em que a China estava 30 anos atrás”.

    O acadêmico, que trabalhou na Universidade de Yale antes de se tornar pesquisador associado na Hoover Institution da Universidade de Stanford, compilou milhares de dados para mostrar de onde veio e, principalmente, para onde vai a China de hoje.

    Em editorial, a revista lembra que, “enquanto isso, o debate político na Europa gira em como retroceder no tempo, como se isso pudesse restaurar a antiga preeminência” do Velho Continente.

    'Quando a China despertar, o mundo tremerá'

    A Nouvel Obs relembra as palavras “proféticas” de um best-seller de 1973, do diplomata e escritor francês Alain Peyrefitte: “Quando a China despertar, o mundo tremerá". Chegamos nesse ponto, e não apenas economicamente”, indica o editorial.

    “Diante de um presidente americano febril e errático, obcecado por acordos imediatistas, Xi Jinping tem fortes argumentos para projetar sua força discreta e apresentar seu 'Império do Meio' como um pilar de estabilidade na nova desordem internacional”, afirma o texto.

    A edição especial da revista recapitula a História para demonstrar o quanto o “imperialismo chinês vem de longe, muito longe”. “O novo imperador da China, que reina desde 2012, está cada vez mais entronizado como senhor do mundo do futuro”, avalia a Le Nouvel Obs.

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  • Em meio a tensão política, Sarkozy alerta para crise institucional na França
    Dec 13 2025

    As principais revistas francesas desta semana se debruçam sobre a política interna do país. Em uma longa entrevista exclusiva para a Le Point, Nicolas Sarkozy, presidente da França entre 2007 e 2012, alerta para o risco de ruptura na política da Quinta República. Já a L’Express foca no malabarismo econômico feito pela extrema direita francesa – representada na capa do periódico por Jordan Bardella e Marine Le Pen do partido Reunião Nacional (RN) – na tentativa de agradar tanto sua base popular quanto a ganhar apoio do setor empresarial.

    Na Le Point, Sarkozy fala em clima pré-revolucionário e prevê a possibilidade de mudança de regime, lembrando que na França isso nunca ocorreu sem violência. “A situação é grave, pois, há quase 70 anos, as condições para uma insurreição raramente estiveram tão reunidas em nosso país.”

    O ex-presidente, recentemente preso durante algumas semanas em Paris após condenação por um esquema de financiamento ilegal de sua campanha presidencial de 2007 pelo ex-líder líbio Khadafi, faz críticas à esquerda francesa. Para ele, “a esquerda traiu todas as suas lutas de outrora em favor dos direitos humanos.”

    Nicolas Sarkozy reconhece na entrevista a Le Point o crescimento e a força da extrema direita. No entanto, descarta, como vem sendo cogitado nos bastidores do seu partido Os Republicanos, ser o candidato de uma aliança conservadora das eleições presidenciais de 2027.

    Mas, o ex-presidente deixa claro que não está nos seus planos abandonar a vida política. Ele não quer repetir o passado e diz que prefere desempenhar um novo papel.

    Leia tambémFrança: Ex-presidente Sarkozy é indiciado por financiamento ilegal de campanha com fundos líbios

    Extrema direita tenta se fortalecer na França

    A L’Express destaca que o RN entra 2026 em um “mistura explosiva”. De um lado, algumas figuras do partido de extrema direita buscam a credibilidade nos meios empresariais, enquanto o outro lado segue firme na linha populista.

    Segundo a revista, a aproximação com o patronato é nítida. Empresários antes relutantes agora aceitam dialogar com o Reunião Nacional, e abrem portas para reuniões com Marine Le Pen e Jordan Bardella, buscando influenciar a linha econômica do partido, descreve o texto. Para a L’Express o objetivo é “melonizar” o RN, ou seja, torná-lo mais pragmático e liberal, à semelhança de Giorgia Meloni na Itália.

    A popularidade do jovem Jordan Bardella, presidente da sigla, também é abordada na reportagem. Com a filha do fundador do partido, Marine Le Pen, fora da corrida presidencial por conta de um processo judicial e queda nas pesquisas, Bardella desponta como sucessor. A dúvida atual do RN é se Bardella é forte o suficiente para ser candidato em uma disputa presidencial.

    Além das dúvidas que pairam e na incerteza sobre quem será o nome da extrema direita na corrida eleitoral, a revista ressalta o risco estratégico de misturar discursos populistas e liberais que podem gerar cacofonia econômica. Sem clareza, o RN corre risco de perder credibilidade tanto com empresários quanto com sua base popular, conclui L’Express.

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  • Como enviados de Trump à Europa se mobilizam para resgatar origens 'brancas e cristãs' do continente
    Dec 5 2025

    O movimento americano Make America Great Again (MAGA) atua muito além das fronteiras dos Estados Unidos – e tem intensificado a rede de influências na Europa. Enviados do presidente Donald Trump à Europa trabalham para resgatar o modelo de sociedade “branca e cristã” no continente.

    A revista francesa L’Express desta semana publica uma série de reportagens sobre o quanto a presença da rede MAGA se acelerou nos países mais poderosos da União Europeia, de olho nas futuras eleições. A corrida presidencial francesa, por exemplo, tem o partido de extrema direita Reunião Nacional mais próximo do que nunca de uma vitória, em 2027.

    Para o MAGA americano, a Europa representa uma etapa fundamental da “guerra de civilizações” encampada nos Estados Unidos, aponta a revista. No topo dessa mobilização, estão sete aliados de Trump que se instalaram no continente ou têm repetido viagens às capitais mais estratégicas, como Berlim, Bruxelas, Londres ou Paris.

    Enviados de Trump

    O embaixador americano na capital francesa, Charles Kushner, é um deles. O jornalista Rod Dreher, um dos mentores do movimento e íntimo do vice de Trump, J.D. Vance, é outro. Ele mudou-se em 2022 para a Hungria e tem viajado pelos países do bloco para impulsionar as candidaturas dos nomes mais proeminentes da extrema direita europeia.

    Em Bruxelas, o embaixador americano junto à União Europeia, Andrew Puzder, tem servido para além dos interesses dos Estados Unidos no bloco: ele participa do movimento político que prega o nacionalismo e o reforço das fronteiras, aponta L’Express.

    Além disso, ONGs cristãs, fundações, think tanks e escritórios de advocacia favoráveis às causas ultraconservadoras foram mobilizados. O resultado é que, “sob pressão americanas, diversos projetos de lei foram adiados ou enterrados” no bloco, como o recente projeto europeu de enquadramento do uso da inteligência artificial, indica a publicação. “O combate final do MAGA é convencer as pessoas além da extrema direita, romper o cordão sanitário” dos partidos extremistas, constata uma das reportagens.

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  • Como a Inteligência Artificial está redefinindo relações de poder e economia no século 21
    Nov 29 2025

    A imprensa semanal francesa trata sobre os variados efeitos da Inteligência Artificial (IA) sobre a sociedade, a economia, a política e a arte.

    Adotando uma perspectiva política e social, a revista Nouvel Obs destaca os riscos para a Wikipédia, com a criação de uma concorrente, a Grokipedia, alimentada por Inteligência Artificial e lançada por Elon Musk.

    O objetivo parece ser distorcer a realidade, como no caso do aquecimento global, que é tratado como uma "teoria". A revista francesa critica essa ofensiva tecnológica por desprezar a deliberação, o respeito aos fatos e o voluntariado, pilares fundamentais da Wikipédia.

    Sob o ponto de vista econômico, a revista examina as consequências da IA no e-commerce, com assistentes como o ChatGPT ou o Perplexity oferecendo recomendações adaptadas, ameaçando e competindo com grandes empresas como Amazon ou Zalando.

    IA é novo petróleo

    No plano geopolítico, a Nouvel Obs se concentra no Oriente Médio, com países como os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita vendo a IA como um novo "petróleo", investindo bilhões de dólares para fortalecer sua soberania digital por meio do controle de dados e da revitalização dos setores estratégicos, como a defesa ou a cibersegurança.

    A revista Le Point discute a IA enquanto motor econômico, ferramenta cultural e tema controverso na política. Em termos econômicos, o texto menciona o posicionamento de algumas das big techs como Meta e Google para se apropriar do crescimento da IA.

    Em termos culturais, aponta o uso da IA na arqueologia, para ajudar na reconstrução dos hinos babilônicos e dos afrescos de Pompeia, entre outros exemplos.

    Na política, cita a IA, em nível local, como aconteceu na candidatura de Virginie Joron (RN), que utilizou imagens geradas por IA para ilustrar a sua campanha em Estrasburgo, no leste da França.

    Finalmente, L'Express concentra seu ponto de vista no impacto econômico da IA no mercado de trabalho.

    O especialista James Pethokoukis, em entrevista à L'Express, contesta as previsões de um "banho de sangue" do mercado de trabalho, argumentando que, apesar da automação, novas tecnologias tendem a criar mais empregos do que a eliminar.

    Ele ataca, ainda, a proposta de criação de uma renda universal básica e defende que os trabalhadores "devem se adaptar" ao novo mercado.

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