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#206 Agir sem agir

#206 Agir sem agir

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Agir sem agirO Bhagavad Gita é uma escritura sagrada do hinduísmo que preconiza uma ação espontânea, até mesmo intuitiva, no presente – uma ação que nasce de si mesma e dissolve a separação entre objeto e sujeito.Isso é possível? E se é, como?Mahatma Gandhi expressou sua admiração pela Bhagavad Gita da seguinte forma:“Na Bhagavad Gita, encontro consolo […] Às vezes, o desapontamento me encara de frente e, quando, abandonado, não vejo nenhum raio de luz, recorro à Bhagavad Gita. Então, encontro um verso aqui e outro ali e imediatamente começo a sorrir em meio a todas as esmagadoras tragédias – e minha vida tem sido cheia de tragédias externas. Se todas elas não me deixaram nenhuma ferida visível, nenhuma ferida indelével, devo isso aos ensinamentos da Bhagavad Gita.” [1]A Bíblia e a Bhagavad Gita são os livros mais amplamente distribuídos e lidos no mundo, de acordo com Bede Griffiths. A Bhagavad Gita faz parte do Mahabharata, grande epopeia indiana. Documenta um diálogo entre a encarnação de Vishnu, na forma de Krishna, e o príncipe indiano Arjuna, que se prepara para travar uma guerra com seus parentes por seu trono. A seguir, reflito sobre minha própria experiência de um dos princípios da Bhagavad Gita, o ‘agir sem agir’, a respeito do qual Krishna fala a Arjuna.Como muitos buscadores nas décadas de 60 e 70, e ainda hoje, eu me apaixonei pela Bhagavad Gita na juventude. Não era apenas um interesse intelectual – que naquela época talvez fosse moda entre os hippies e os filhos das flores – mas uma experiência interior e intuitiva de que havia naquele livro mais do que apenas um sistema religioso e filosófico com pistas para a vida em tempos contraditórios e turbulentos. O princípio de ‘agir sem agir’ me fascinou e me acompanha desde então. Mas o que é, na verdade, esse ‘agir sem agir’?O Bhagavad Gita diz:“Aquele que vê a inação na ação e a ação na inação é sábio entre os homens; ele é um iogue e executor de todas as ações.” [2]O Bhagavad Gita oferece alguns princípios para resolver ou explicar esse paradoxo:Renuncie aos frutos da ação: não se apegue aos resultados de suas ações.Não tenha expectativas: não espere nada (positivo ou negativo) das ações que realiza.Seja frugal e não dependente: viva com simplicidade e não se apegue a bens materiais.Seja contente e equânime: mantenha a serenidade diante do sucesso ou do fracasso.Veja todas as ações como oferendas: considere todos os seus atos como oferendas a Krishna/Vishnu. Assim, eles se transformam em conhecimento espiritual.“Sabe que os sábios que realizaram a verdade te instruirão nesse conhecimento por meio de longa prostração, súplica e serviço. Sabendo disso, tu não serás, ó Arjuna, novamente iludido como agora; e por isso, tu verás todos os seres em ti mesmo e em mim.” [3]Se nós nos observamos com esse pano de fundo, percebemos que todo o nosso pensamento, desejos, sentimentos e ações pressupõem que queremos alcançar e esperar algo. Todas as nossas ações são, portanto, especulativamente direcionadas para o futuro. Por outro lado, a Bhagavad Gita preconiza uma ação espontânea, até mesmo intuitiva, no presente – uma ação que nasce de si mesma e dissolve a separação entre objeto e sujeito para alcançar a unidade entre objeto e sujeito.Se isso é possível, como?Krishna aponta claramente que ninguém pode ficar inativo nem por um momento, e aconselha Arjuna:“Portanto, sem apego, execute sempre as ações que devem ser feitas; pois, ao executar ações sem apego, alcança-se o Supremo.” [4]Se pudermos implementar o conselho de Krishna em nossas vidas, poderemos nos libertar do pensamento especulativo e das expectativas do futuro, estarmos livres dos sucessos ou fracassos de nossas ações. Isso dissolve toda a especulação sobre o futuro, que se expressa em ansiedade, preocupação e medo. Podemos então, de forma espontânea e alegre, cumprir o dever que nos é imposto e ter em mente o bem da humanidade.Catharose de Petri, a Grã-Mestra da Rosacruz Áurea, expressa isso da seguinte forma:“É absolutamente possível, durante sua rotina diária comum, quaisquer que sejam as atividades que precise realizar, manter perfeitamente a força central e seu princípio no fundo do seu ser, e deixá-la irradiar através de tudo, em seu coração, sua cabeça e sua alma.” [5]Nós, então, praticamente vivemos duas vidas: uma em conexão com o mundo comum e a outra que não é deste mundo, que vive na e da força de Krishna ou do Cristo. [6] Isso nos dá distância dos problemas, conflitos e adversidades deste mundo, porque:“Aqueles que me amam são queridos para mim, e eu estou neles, e eles estão em mim. Eles vêm a mim e terão paz eterna.” [7]Podemos, então, ver o mundo dos opostos como observadores e, ao mesmo tempo, por meio da força da alma e do conhecimento dentro de nós, podemos nos concentrar sem...
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Bonne écoute !
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