A PALAVRA NOS EXAMINA
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Mensagem 298 – A PALAVRA NOS EXAMINA
Leia Salmos 119.25-32.
²⁵Minha vida está perto de virar pó; vivifica-me segundo tua palavra. ²⁶Eu te expus meus caminhos, e tu me respondeste; ensina-me teus decretos. ²⁷Faze com que eu entenda o caminho dos teus preceitos; assim meditarei nas tuas maravilhas. ²⁸Minha alma esvai-se de tristeza; fortalece-me segundo tua palavra. ²⁹Desvia de mim o caminho da falsidade e, por teu amor, mostra-me tua lei. ³⁰Escolhi o caminho da fidelidade; coloquei tuas ordenanças diante de mim. ³¹Ó Senhor, eu me apego aos teus testemunhos; que eu não seja envergonhado. ³²Percorrerei o caminho dos teus mandamentos, quando ampliares minha compreensão.
Nota da equipe: A quarta estrofe do Salmo 119 abre-se com a imagem dramática do homem caído sobre a terra de onde foi tirado, com a alma “colada” (dabaq) ao pó, como diz o original, sem ter mais para onde descer. Dali mesmo ele pede ser vivificado “segundo tua palavra” (v. 25) e, quando a alma se esvai de tristeza, pede forças segundo a mesma Palavra (v. 28). Nessa condição, já não há o que esconder, e ele abre a Deus sua vida: “Eu te expus meus caminhos, e tu me respondeste” (v. 26). Ele relata tudo em detalhes e presta contas, recusando-se a entregar ao Senhor uma versão editada da própria história: “Desvia de mim o caminho da falsidade e, por teu amor, mostra-me tua lei” (v. 29). Já não fala dos mentirosos ao redor, mas de um caminho que ele mesmo reconheceu em si. A Palavra o examinou, e o que ela revelou foi sheqer, “falsidade”. Esta é a inversão de papéis que a estrofe ensina a quem a lê com atenção: você se aproxima da Bíblia para avaliá-la e, nesse processo, descobre que é você quem está sendo avaliado por ela.
Considere o que ele faz com aquilo que ouviu: “Escolhi o caminho da fidelidade” (v. 30), e, logo em seguida, “eu me apego aos teus testemunhos” (v. 31). A alma, antes apegada ao pó, quer agora se apegar aos testemunhos de Deus, e o verbo hebraico é o mesmo do v. 25. Uma alma não se “cola” a dois lugares ao mesmo tempo. É isto o que acontece quando você deixa a Palavra sondá-lo de verdade: ela não enfeita a sua vida cheia de falsidade, nem passa um verniz religioso em um coração coberto de pó, mas o descola, dolorosamente, daquilo que era seu apego, para que você possa se grudar a Deus (Dt 11.22). No caminho, costumamos descobrir que aquilo a que estávamos aderidos era muito menos confiável do que gostaríamos de admitir, e que a dor de ser descolado é a própria fidelidade da Palavra para conosco.
Esse é o solo em que o último versículo da estrofe faz sentido: “Percorrerei o caminho dos teus mandamentos, quando ampliares minha compreensão” (v. 32), no qual o hebraico diz literalmente “quando alargares o meu coração”. Ali se completa o pedido do v. 27, “Faze com que eu entenda o caminho dos teus preceitos”, porque o entendimento que o salmista busca não se detém na mente. O coração estreito, ainda apegado ao próprio eu, precisa ser ampliado pela mesma Palavra que primeiro o deixou nu. A Escritura que fere no v. 29 é a que alarga no v. 32, abrindo em nós o espaço suficiente para sermos mais parecidos com Jesus — o único cuja alma jamais se grudou ao pó, mas que, na cruz, deitou-se no pó em nosso lugar (Gn 3.19; Sl 22.15). É a partir da cruz que a Palavra nos examina: não como um juiz implacável que busca evidências para nos condenar, mas como a voz d’Aquele que já pagou o preço do que vai descobrir em nós e que por isso pode nos mostrar quem somos sem nos destruir.
Preste atenção, nesta semana, ao trecho da Bíblia pelo qual você gostaria de passar depressa, porque costuma ser ali que o Espírito aponta para algo a que sua alma está apegada. Em vez de discutir com o texto, faça o que o salmista fez: como no v. 26, exponha em oração os seus caminhos e tome para si a súplica do v. 29, com a qual começa o desapego do pó e o apego a Deus.