A PALAVRA É NOSSA CONSELHEIRA
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Mensagem 297 – A PALAVRA É NOSSA CONSELHEIRA
Leia Salmos 119.17-24.
¹⁷Faze bem ao teu servo, para que eu viva; assim obedecerei à tua palavra. ¹⁸Desvenda-me os olhos, para que eu veja as maravilhas da tua lei. ¹⁹Sou peregrino na terra; não escondas de mim teus mandamentos. ²⁰Minha alma se consome no anseio constante por tuas ordenanças. ²¹Tu repreendeste os soberbos, os malditos, que se desviam dos teus mandamentos. ²²Tira de mim a humilhação e o desprezo, pois tenho guardado teus testemunhos. ²³Príncipes sentaram-se e falaram contra mim, mas teu servo meditava nos teus decretos. ²⁴Teus testemunhos são meu prazer e meus conselheiros.
Nota da equipe: A terceira estrofe do Salmo 119 abre-se com a súplica de quem quer viver para obedecer (v. 17) e logo avança para um pedido aparentemente pequeno, mas de enorme alcance: “Desvenda-me os olhos, para que eu veja as maravilhas da tua lei” (v. 18). O salmista tem o texto diante de si, mas sabe que a letra sozinha não basta; é preciso que o próprio Deus revele ao leitor o que a Palavra contém. Em 2 Coríntios 3, Paulo descreve o mesmo problema: há um véu sobre o coração que só em Cristo, pela ação do Espírito, é retirado (2Co 3.14-18). Sem o Espírito, podemos saber muita coisa sobre a Bíblia; com o Espírito, começamos a ver aquilo que ela realmente é, maravilha e glória, e a enxergar Cristo em suas páginas. O restante da oração do salmista depende de que esses olhos sejam abertos.
O salmista se descreve, logo em seguida, como “peregrino na terra” (v. 19). Um peregrino é um estrangeiro que mora numa terra que não é a sua, sem a rede de proteção dos nativos, dependente da hospitalidade do dono do lugar (Lv 25.23). Por isso, no mesmo versículo, pede a Deus que não lhe esconda os mandamentos. Onde os salmos costumam rogar que Ele não esconda o rosto, ele roga pela lei, porque é por ela que Deus se faz presente. A mesma autodescrição explica o anseio do v. 20, “Minha alma se consome no anseio constante por tuas ordenanças”, e se completa no v. 24: “Teus testemunhos são meu prazer e meus conselheiros”. No hebraico, “meus conselheiros” é, literalmente, “os homens do meu conselho”: ele trata os testemunhos de Deus como amigos leais, como o círculo próximo que o antigo monarca consultava antes de decidir. A Palavra ocupa tanto o lugar da amizade mais íntima quanto o da fonte de prazer.
A escolha dos conselheiros tem consequências para toda a vida. Em Provérbios 1, a Sabedoria chama os insensatos e descreve o que lhes acontece quando recusam o conselho: “Portanto, comerão do fruto do seu caminho e se fartarão dos seus próprios conselhos” (Pv 1.31). Em contraste, “quem me der ouvidos viverá seguro e estará tranquilo, sem medo do mal” (Pv 1.33). Boa parte das dores que carregamos foi plantada por nós mesmos. A ira guardada envenenou uma amizade; a palavra dita em momento de fúria abriu uma ferida que levou anos para cicatrizar; o endividamento para parecer o que não éramos tirou o sono por meses; a mentira pequena cresceu, encontrou outras e tornou-se um emaranhado difícil de desatar. Muitas vezes, aquilo que chamamos de “problemas da vida” é apenas a colheita, mais cedo ou mais tarde, do que semeamos sem sabedoria, sem conselho (Gl 6.7).